Os dados de uma rede de supermercados mostram que, mesmo com forte aumento no valor médio faturado, o volume total de Feijões permaneceu praticamente estável. O consumidor ajustou a composição da compra, mas não abandonou a categoria.
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Uma análise das vendas de uma rede de supermercados entre janeiro e julho de 2025 e o mesmo período de 2026 traz uma informação importante para quem acompanha o consumo de Feijão.
Em 2025, quando os preços estavam mais baixos, a rede vendeu 630.112 unidades de Feijões. Neste ano, com valores consideravelmente mais altos, foram vendidas 629.000 unidades.
A diferença foi de apenas 1.112 embalagens, uma redução de 0,18%.
Na prática, não houve variação relevante no volume total vendido.
Ao mesmo tempo, o faturamento da categoria avançou 30,5%, passando de R$ 3,93 milhões para R$ 5,13 milhões. O valor médio faturado por unidade aumentou aproximadamente 30,7%.
É importante fazer uma ressalva. Os números apresentados não mostram diretamente o preço de gôndola. Portanto, estamos comparando o faturamento médio por unidade, que pode ser influenciado por promoções, marcas e tamanhos de embalagem. Ainda assim, o movimento é suficientemente claro: a rede vendeu praticamente o mesmo volume, apesar do aumento expressivo no valor movimentado.
Isso enfraquece a ideia de que uma redução no preço do Feijão necessariamente provocaria um grande aumento no consumo.
O que aconteceu foi uma mudança dentro da própria categoria.
O Feijão-carioca de 1 kg, que ainda representa mais de 85% das vendas, teve redução de 4,55% no volume. Em contrapartida, o Feijão-preto cresceu 30,72%, enquanto o Feijão-carioca de 2 kg avançou 36,46%.
O consumidor não deixou de comprar Feijão. Parte dele procurou alternativas mais econômicas, mudou de variedade ou passou a comprar embalagens maiores.
O Feijão-preto foi o principal beneficiado por esse movimento. Sua participação nas vendas cresceu, consolidando-o como uma opção com melhor relação custo-benefício para o consumidor. Já o pacote de 2 kg ganhou espaço, provavelmente por oferecer uma percepção mais vantajosa de custo por quilo.
Os números de julho reforçam essa leitura. Somente naquele mês, o volume total de Feijões aumentou 5,82% em comparação com julho do ano anterior, mesmo com um faturamento 51,41% maior.
Não é possível atribuir esse crescimento exclusivamente ao preço. Há outros fatores envolvidos, como disponibilidade, promoções, renda, exposição nas lojas e custo das demais proteínas. Mas os dados mostram que o Feijão possui uma resistência de consumo maior do que muitas vezes se imagina.
A conclusão estratégica é que o preço importa, mas não explica, sozinho, o comportamento da categoria.
Quando o Feijão-carioca fica mais caro, parte dos consumidores não abandona o Feijão. Eles migram para o Feijão-preto, procuram embalagens maiores, escolhem outra marca ou ajustam a quantidade comprada.
Para o produtor, isso mostra que uma queda acentuada no preço de origem não garante, por si só, um aumento proporcional do consumo. Para o varejo, confirma a importância de trabalhar o conjunto da categoria, oferecendo variedades e embalagens que atendam a diferentes níveis de renda.
Neste caso concreto, no ano passado, com preços menores, vendeu-se apenas 0,18% a mais. Neste ano, mesmo com valores mais elevados, o volume permaneceu praticamente igual.
O consumidor continuou comprando Feijão. O que mudou foi a maneira de comprar.
