Supermercado: faturamento aumenta e a margem some

Por: IBRAFE,

17 de março de 2026

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Considerando que o painel abaixo, recebido de uma rede de supermercados que colabora com o Clube Premier, traz dados atualizados até 15/03/26, a leitura é clara: o supermercado faturou mais com Feijão, mas lucrou bem menos.

 Traz certo alívio entender que os consumidores estiveram comprando Feijões lá na gôndola. Para chegar ao campo, era preciso garantir que o produto fluísse. Quando virá a nova onda de compras, ainda é impossível precisar, mas, neste início de semana, já foi possível perceber que, aqui e ali, voltam a aparecer compradores.

 Nos primeiros 15 dias de março, a categoria Feijão vendeu praticamente o mesmo volume do mesmo período do ano anterior: 49.535 unidades em 2026 contra 49.490 em 2025, alta de apenas 0,09%. Mesmo com volume estável, o faturamento saltou de R$ 303.553 para R$ 405.197, avanço de 33,48%. Isso mostra que o ganho veio de preço e mix, não de giro. O faturamento médio por quilo saiu de cerca de R$ 6,13 para R$ 8,18.

 O ponto crítico está na margem. Considerando a coluna MG como margem líquida, a categoria caiu de 11,83% para 3,99%, uma retração de 66,31%. Em valor aproximado, isso significa que o resultado líquido do Feijão caiu de algo perto de R$ 35,9 mil para cerca de R$ 16,2 mil. Em resumo: vendeu quase a mesma quantidade, faturou muito mais, mas entregou menos da metade do ganho líquido.

 O maior peso dessa deterioração está no Feijão Carioca 1 kg, que segue sendo o coração da categoria. Ele representa 86,05% do volume e 85,91% do faturamento do Feijão. O faturamento dele subiu 29,99%, de R$ 267.801 para R$ 348.123, mas a margem caiu de 9,71% para 1,93%. Sozinho, ele explica boa parte da perda de rentabilidade. O Carioca 2 kg também piorou bastante: o faturamento subiu 76,77%, mas a margem praticamente zerou, caindo de 13,52% para 0,22%.

 O Feijão Preto 1 kg teve desempenho melhor do ponto de vista comercial. O volume saiu de 2.213 para 4.700 unidades, alta de 112,38%, e o faturamento cresceu 67,48%, indo para R$ 30.065. A margem caiu de 37,26% para 20,64%, mas, ainda assim, permanece saudável e bem acima da média da categoria. Foi um dos poucos itens que ajudaram a segurar o resultado.

 A síntese estratégica é esta: neste início de março, o Feijão virou uma categoria de faturamento, não de margem. O supermercado está girando a seção e sustentando receita, mas ao custo de uma forte compressão da rentabilidade, especialmente no Carioca. Em outras palavras, o Feijão está ajudando no caixa, mas atrapalhando o lucro.

 

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