CONAB DIVULGA AUMENTO DE OFERTA DE FEIJÃO

Por: IBRAFE,

12 de junho de 2026

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Segundo a CONAB, a produção brasileira de Feijão volta a se aproximar de 3 milhões de toneladas, de acordo com os novos números levantados. Em maio, a estimativa para o Feijão total estava em torno de 2,90 milhões de toneladas. Agora, com os resultados melhores em algumas regiões, a projeção sobe para perto de 3,00 milhões de toneladas, praticamente igualando o ciclo anterior.

Mas este é o ponto que o mercado precisa separar com cuidado: o aumento de volume não significa folga geral para todos os Feijões. O ganho está concentrado principalmente no Feijão-caupi do Nordeste, um mercado importante, mas com dinâmica muito regional. Portanto, essa oferta maior não resolve, de forma direta, a disponibilidade de Feijão-carioca e Feijão-preto nas regiões de maior consumo do país.

No Feijão-carioca, a história foi outra. O clima instável no Centro-Oeste e no Sudeste reduziu a produtividade e manteve o mercado bastante pressionado em maio. Em alguns momentos, os preços na fazenda encostaram em R$ 450 por saca. A entrada mais firme da segunda safra, em junho, trouxe algum equilíbrio para o abastecimento e reduziu a tensão na origem. Ainda assim, não se pode confundir acomodação de preços com sobra de produto de alta qualidade.

No Feijão-preto, o quadro continua mais sensível. As perdas no Paraná durante a primeira safra deixaram o mercado mais ajustado. As estimativas anteriores indicavam uma produção nacional entre 317 mil e 380 mil toneladas, e junho confirmou que os estoques seguem apertados. Há, porém, um movimento relevante: parte dos produtores passou a olhar com mais interesse para o Feijão-preto nesta segunda etapa, especialmente pela percepção de maior rusticidade em relação à seca.

Enquanto isso, no Ceará, a colheita do Feijão-caupi de segunda safra, o conhecido Feijão-de-corda, avança dentro do ritmo esperado. Maio ainda foi marcado por preços firmes para o Feijão-seco, porque o estoque antigo estava no fim e a nova safra apenas começava a aparecer. Nesse intervalo, quem sustentou boa parte do abastecimento local foi o Feijão-verde.

Nas Ceasas de Maracanaú, Tianguá e Cariri, o Feijão-verde com casca fechou maio ao redor de R$ 130 por saco, enquanto o debulhado ficou próximo de R$ 7 por quilo. Com o avanço da colheita em junho, a chegada de mercadoria nova começou a pressionar os valores para baixo. No Centro-Sul cearense, os trabalhos praticamente se encerraram no início do mês. No Norte do estado, a colheita se concentra agora, aproveitando o período mais seco para preservar a qualidade das vagens.

A leitura central para o Clube Premier é simples: o Brasil pode até voltar a produzir perto de 3 milhões de toneladas de Feijão, mas o mercado não deve ser analisado pelo número total. Feijão-caupi, Feijão-carioca e Feijão-preto são mercados diferentes, com consumidores diferentes, regiões diferentes e efeitos de preços diferentes.

Quem olhar apenas para o número cheio pode achar que o abastecimento está resolvido. Quem separar os tipos de Feijão vai enxergar melhor onde existe folga, onde existe pressão e onde ainda há oportunidade.

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