Eu sei, parece contraintuitivo: o Feijão-carioca já está em R$ 310/320 e o Feijão-preto em R$ 190/200, com cara de subir mais até a próxima safra.
Mas é justamente aí que o assunto fica sério.
Quando o Feijão sobe, acontecem duas coisas ao mesmo tempo:
- Pra quem produz/vende, é o mercado dizendo: qualidade e oferta curta estão valendo mais.
- Pra quem compra, é o prato dizendo: ficou mais caro… e aí vem o risco.
O risco é simples: a galera não troca Feijão por algo melhor. Troca por “praticidade”: macarrão instantâneo, snack, ultraprocessado, delivery.
E, quando o Feijão sai da rotina, ele não volta fácil. Hábito quebrado é difícil de recuperar.
Então, falar de consumo agora não é para derrubar preço.
É para evitar a montanha-russa do Feijão: quando sobra, o preço despenca; quando falta, dispara.
Consumo firme cria um “chão”:
• dá mais estabilidade,
• reduz a loucura de um mês para o outro,
• ajuda o setor a planejar,
• e mantém o Prato Feito vivo.
E a ponte para quem tem 20 anos é direta:
Arroz + Feijão + proteína + salada é o combo mais honesto do Brasil.
Comida de verdade, que sustenta, rende, dá saciedade e não te empurra para o pacote.
A saída não é cortar Feijão.
A saída é fazer o Feijão caber na vida real: porcionado, congelado, pronto, sem conservantes, rápido de esquentar.
No fim, quando o preço sobe, o setor tem duas opções:
ou deixa o consumidor abandonar o Feijão sem perceber,
ou reforça o óbvio: Feijão não é detalhe. Feijão é o coração do Prato Feito.
