As primeiras colheitas no Sul começaram a aparecer e trouxeram exatamente o que o mercado precisava para reagir: Feijão novo, com qualidade acima do que vinha sendo negociado nas últimas semanas. Há relatos consistentes de lotes recém-colhidos saindo entre R$ 330 e R$ 340, padrão elevado.
E o movimento não ficou restrito ao Sul. No Noroeste de Minas Gerais, uma compra reportada na noite de ontem, a R$ 360, reforça que não se trata de exceção pontual. É alinhamento de mercado.
O ponto central aqui exige frieza na análise: isso não é especulação.
Os empacotadores seguem com estoques baixos e o varejo mantém giro normal. Ou seja, não houve retração de consumo. O que houve foi necessidade real de reposição diante de oferta curta nas últimas semanas. Quando o produto apareceu com qualidade, o mercado respondeu imediatamente.
A alta de R$ 20 a R$ 30 por saca, observada agora, é típica de mercado físico ajustando rápido quando encontra produto que atende ao padrão.
Mas há um risco claro de leitura equivocada.
A partir do dia 10, o cenário muda. Mesmo com volumes modestos no Sul, especialmente no Paraná, a entrada mais consistente de oferta começa a acontecer. E mercado de Feijão não espera. Ele antecipa.
Por isso, a orientação aqui precisa ser objetiva: é momento de colher e vender.
Segurar, esperando continuidade linear de alta, ignora o fator mais importante do curto prazo, que é o aumento de disponibilidade. Hoje, o mercado paga prêmio por cor, integridade do grão novo e escassez recente. Em poucos dias, vai começar a testar até onde o produtor aceita vender com mais produto disponível.
Por isso, quem já acertou na mosca ao ter o Feijão na mão precisa tomar cuidado: acertar no olho da mosca e vender no pico do pico é um risco que costuma trazer mais tristeza do que alegria.
