Produtor de São Paulo eleva a régua  

Por: IBRAFE,

20 de fevereiro de 2026

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O mercado de Feijão segue com valorização consistente e mudança clara de patamar. O movimento não é pontual nem especulativo: trata-se de oferta restrita, especialmente de lotes com padrão superior, seja no Feijão-preto ou no Feijão-carioca, em um momento em que a reposição encontra dificuldade. Para quem acompanha preços para empacotamento ou para negócios, o cenário é de continuidade da valorização.

Os preços subiram de forma expressiva nas últimas semanas. No Feijão-carioca, a valorização acumulada em fevereiro supera 20% e, em algumas regiões, já passa de 30%. A saca de 60 kg do produto Nota 8 a 8,5 está sendo negociada entre R$ 285 e R$ 295, com o interior de São Paulo registrando ontem um primeiro negócio a R$ 350, estabelecendo a referência mais elevada até o momento. O prêmio está concentrado na qualidade: cor, peneira e uniformidade estão fazendo diferença real na formação dos preços.

No Feijão-preto, após um período de pressão e acomodação, houve recuperação. As cotações variam entre R$ 175 e R$ 210 por saca, refletindo um mercado mais ajustado e atento ao equilíbrio entre oferta disponível e necessidade de reposição.

Do lado dos estoques, o sinal é de alerta. As estimativas indicam que os estoques nacionais de Feijão-carioca estariam próximos de uma cobertura equivalente a cerca de 15 dias de consumo, muito abaixo do padrão de segurança normalmente considerado confortável, próximo de 60 dias. Além disso, a migração de área para soja e milho ao longo de 2025 contribuiu para uma produção nacional menor, reforçando o ambiente de oferta curta neste início de ano.

Quanto à safra 2026, a colheita da primeira safra (safra das águas) está concluída ou em fase final em estados como Minas Gerais e Paraná. No entanto, o volume colhido não foi suficiente para pressionar os preços para baixo. Agora, o mercado volta sua atenção para a segunda safra (safrinha), cujo plantio começou em fevereiro. A partir deste ponto, o clima passa a ser fator decisivo. Qualquer atraso, veranico ou frente fria que traga problemas ao desenvolvimento poderá gerar novas pressões nas cotações nos próximos meses.

Em síntese, o mercado trabalha com oferta restrita, estoques enxutos e dependência direta do desempenho da segunda safra. O momento exige leitura estratégica. Quando o Feijão valoriza por escassez real, não se trata apenas de uma oscilação estatística: é um ajuste estrutural de oferta frente a uma demanda que continua presente.

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