Produtor de Goiás proibido de irrigar pode trazer forte impacto no abastecimento

Por: IBRAFE,

5 de maio de 2026

Responsive image

O Feijão já vinha caro porque plantar ficou difícil. Agora, se também ficar difícil irrigar, o problema deixa de ser apenas do produtor e passa a ser do consumidor brasileiro.

A informação que chega de Goiás é preocupante. Em um estado importante para a produção de Feijão, produtores com pivôs de irrigação devidamente legalizados estariam sendo impedidos de irrigar lavouras de Feijão. Parece estranho. E é mesmo.

 Nenhum produtor quer sumir com a água. Quem irriga no Vale do Araguaia faz isso há 40, 50 anos, com investimento, técnica, outorga, energia, manutenção, manejo e cuidado. O produtor sabe melhor do que ninguém que sem água não há produção, não há solo vivo, não há safra seguinte e não há renda. O debate, portanto, não pode ser tratado como se irrigar Feijão fosse desperdício. Irrigar Feijão é produzir alimento básico para milhões de brasileiros.

 O ponto não é defender uso desordenado da água. O ponto é outro: se o produtor investiu, legalizou, cumpriu exigências e depende da irrigação para produzir alimento básico, uma decisão administrativa desse tipo pode virar um golpe direto no abastecimento.

E o mercado já mostra que não há gordura sobrando

O PNF, Preço Nacional do Feijão IBRAFE, trouxe negócios pontuais nesta segunda-feira que ajudam a medir o tamanho da tensão. Em Campos Gerais, no Paraná, houve indicação de Feijão-carioca nota 8,5 a R$ 400,00, com 600 sacas. Também em Campos Gerais, o Nelore apareceu a R$ 360,00 para nota 8, com 620 sacas, e voltou a R$ 400,00 em outros dois lotes, sendo um nota 8 com 500 sacas e outro nota 9 com 470 sacas.

 No Norte de São Paulo, o IAC 2051 nota 9 apareceu a R$ 410,00, com 300 sacas. No Noroeste de Minas Gerais, o Feijão-carioca nota 8 foi reportado a R$ 370,00, com 540 sacas. No Sul do Paraná, o Feijão-preto tipo 3 apareceu a R$ 165,00, com 270 sacas.

É importante lembrar: o PNF não é média como o CEPEA. Ele registra negócios pontuais, ofertas e referências captadas diretamente com produtores, empacotadores e corretores nas fontes. Justamente por isso, ajuda a enxergar o mercado no calor da decisão.

 A leitura é simples. Mesmo com diferenças de qualidade, peneira, umidade, fundo e condição de entrega, o Feijão-carioca segue trabalhando em patamar muito elevado. Quando aparecem negócios de R$ 400,00 e até R$ 410,00, não se trata mais de conversa de corredor. O mercado está dizendo que a oferta segue curta e que o comprador continua tendo dificuldade para encontrar mercadoria boa.

 Se a restrição à irrigação em Goiás se confirmar, o impacto não será pequeno. No Vale do Araguaia, a estimativa que circula entre produtores é de que algo próximo de 30% a menos poderá ser plantado. Em um ano no qual o Feijão-carioca já trabalha com oferta curta, perdas em regiões importantes e preços elevados, retirar área irrigada do jogo é praticamente jogar gasolina no fogo.

 Essa medida, se confirmada, tem potencial de afetar o prato de muitos milhões de brasileiros. Não é uma discussão pequena, técnica e distante da população. É o tipo de decisão que começa no campo, passa pelo empacotador, chega ao supermercado e termina no preço do almoço.

 Para quem estiver colhendo em junho, isso pode significar uma sobrevida nos preços altos. Ninguém, neste momento, deve apostar com segurança até onde a saca pode chegar antes da entrada mais consistente do irrigado do Vale do Araguaia, especialmente depois de 15 de junho. O mercado já estava sensível. Agora, com esse componente político-regulatório, fica ainda mais nervoso.

 O consumidor talvez ainda não tenha percebido, mas vai sentir no caixa. Quando o governo atrapalha quem produz alimento, a conta não fica na fazenda. Ela chega ao supermercado. E chega mais salgada.

 Aqui no Clube Premier vamos acompanhar esse tema de perto, porque essa não é uma informação lateral. Se a restrição avançar, ela muda o mapa da terceira safra, muda a disposição de plantio e pode sustentar preços altos por mais tempo no Feijão-carioca. O Brasil precisa discutir uso racional da água, sim. Mas precisa fazer isso com técnica, previsibilidade e respeito a quem produz comida. Sem isso, quem paga a conta é o prato do brasileiro.

 

Mais
Boletins

Produtor de Goiás proibido de irrigar pode trazer forte impacto no abastecimento
05/05/2026

Maio começa como o mês da prova final para o Feijão-carioca
04/05/2026

Câmara fria mais escurecimento lento = 80% de valorização
30/04/2026

Carioca dispara e Feijão-preto é opção
29/04/2026

Feijão-carioca segue firme, mas agora o mercado exige velocidade
28/04/2026