Maio deverá ser o mês em que o mercado finalmente colocará à prova os números reais da produção de Feijão-carioca no primeiro semestre. A leitura de campo segue indicando que os volumes efetivos serão menores do que os previstos inicialmente pela CONAB. A própria CONAB, no 7º levantamento da safra 2025/26, já apontava produção total de Feijão em 2,902 milhões de toneladas, queda de 5,2% sobre a safra anterior, com redução de área de 4,1% e produtividade 1,1% menor.
O ponto central agora está na segunda safra. Se, em vez das 447 mil toneladas estimadas, trabalharmos com uma redução de 87 mil toneladas, maio entra no radar como o mês de menor disponibilidade de produto do ano. Isso muda completamente a forma de olhar o mercado. Não é apenas preço alto. É oferta curta no momento em que a demanda ainda precisa se recompor.
No fim de abril, o mercado já deixou sinais claros. O CEPEA registrou, em 30 de abril, Feijão-carioca nota 9 R$ 395,85 em Itapeva e R$ 390 no Noroeste de Minas. No padrão notas 8 e 8,5, os valores também seguiram firmes, com R$ 340,42 em Curitiba, R$ 347,25 no Noroeste de Minas e R$ 340 no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.
Nas indicações do PNF Preço Nacional do Feijão do IBRAFE, os lotes extras chegaram a superar R$ 400 por saca. Ainda que esses preços possam oscilar conforme aparecem ou desaparecem volumes de oferta e demanda, o fato principal não muda: as condições para termos os maiores preços desde 2023 estão colocadas.
O CEPEA já havia registrado, em 27 de abril, que o Feijão-carioca vinha de valorizações expressivas, sustentadas pela transição entre o encerramento da primeira safra e o início da segunda, com demanda firme e oferta limitada de grãos de melhor qualidade. Mas vai ficando claro que é pior do que captaram.
A partir de hoje, o mercado precisa olhar com atenção para dois pontos. Primeiro, o ritmo real das colheitas no Paraná. Segundo, a consolidação das perdas em Minas Gerais, especialmente nas áreas de sequeiro. A CONAB já havia apontado, no caso de Minas, pressão de mosca-branca no Noroeste e perdas de qualidade em alguns lotes por excesso de chuvas na fase de maturação e colheita.
Maio vai passar rápido para quem atua no mercado. Muito rápido. Quem está no campo, comprando, vendendo, empacotando ou tentando formar posição não terá muitas semanas para interpretar o cenário com calma. A fotografia está ficando mais clara: menor oferta, qualidade disputada e compradores ainda precisando se posicionar.
A oscilação diária pode acontecer. Um dia aparece lote, no outro some. Um comprador recua, outro entra. Isso é normal em mercado curto. Mas não se deve confundir ruído de curto prazo com mudança estrutural. O fundamento principal segue sendo a disponibilidade apertada de Feijão-carioca de boa qualidade.
O mês de maio, portanto, não será apenas mais um mês de comercialização. Será o teste final dos números. E, se o campo confirmar o que as primeiras informações já apontam, o mercado de Feijão-carioca entra no período mais sensível desde 2023.
