As primeiras informações do varejo, logo após o carnaval, indicam um ponto importante: com o Feijão-carioca ao redor de R$ 7 a R$ 8 por quilo nas gôndolas, já se percebe redução no volume vendido.
Isso não é surpresa. É o próprio mercado fazendo o ajuste clássico entre oferta e demanda. Quando a oferta encurta e o preço sobe, o consumo desacelera. O preço, nesse momento, cumpre exatamente essa função: frear o consumo para alinhá-lo à disponibilidade.
Ao mesmo tempo, começa a aparecer um movimento interessante. O Feijão-preto já mostra maior giro em algumas regiões. No Nordeste, há relatos de que o fradinho ganha competitividade relativa, ficando mais atraente ao consumidor em determinadas praças.
É substituição? Em parte, sim. Mas é também adaptação natural do consumidor ao novo patamar de preço.
Do lado da origem, o cenário é objetivo: todo o Feijão-carioca que está sendo colhido agora segue praticamente direto para o empacotamento. Não há formação relevante de estoque na ponta produtora.
Os valores pagos na fazenda, dependendo da região, giram entre R$ 320 e R$ 350 por saca. Há reportes de negócios em Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Bahia e São Paulo. O fluxo está acontecendo.
Neste momento, não é recomendável que o produtor se coloque na posição de especulador. O mercado está pagando bem, está absorvendo e está ajustando o consumo. Tentar reter esperando um salto adicional pode significar perder o timing de um mercado que, agora, está tecnicamente equilibrado pelo próprio preço.
O que precisamos observar nas próximas semanas é se essa desaceleração no varejo será apenas um freio momentâneo ou se se transforma em hábito. E aqui entra um ponto estratégico: o Feijão não pode perder espaço no Prato Feito por simples falta de comunicação da cadeia.É hora de espalhar a notícia que substituto de Feijão caro é algum Feijão um pouco mais barato.
Preço alto ajusta consumo. Comunicação correta preserva hábito.
