O mercado físico de Feijão-carioca opera com forte sustentação e prêmios elevados para lotes 9 acima. De acordo com o monitoramento do PNF (Preço Nacional do Feijão), as negociações recentes em polos produtores como o Noroeste de Minas Gerais e os Campos Gerais, no Paraná, mostram cotações sólidas entre R$ 320,00 e R$ 325,00 para variedades como IAC 2050, Dama e Agronorte, com pontuação de cor entre 8,5/9. Mas produtores não aceitaram ontem R$ 340 por nota 9 no Noroeste de Minas.
Esses valores ratificam a tendência apontada pelo CEPEA, que observa uma disputa acirrada por grãos nota 9. No Sudoeste do Paraná, lotes de padrão inferior (nota 7,5) são negociados a R$ 260,00, evidenciando um gap de preço de quase R$ 60,00 baseado apenas na qualidade visual. A CONAB e a Secretaria da Agricultura do Paraná (DERAL) reforçam que essa disparidade é fruto direto da quebra de safra no Sul, que reduziu drasticamente a oferta de grão novo.
Mas é bom lembrar que não é adequado comparar com o ano passado, que foi um ano fora da curva. Após o recorde histórico de área e produção em 2024/25, o produtor paranaense reduziu drasticamente a aposta no Feijão-preto nesta temporada. Segundo o DERAL, a área da primeira safra 2025/26 caiu cerca de 36% (recuando para cerca de 107 mil hectares), patamar inferior aos ciclos de 2022 e 2023, quando a área ainda orbitava acima dos 140 mil hectares.
Essa redução preventiva, somada à quebra na produtividade por fatores climáticos, criou a "tempestade perfeita" para os preços.
E a pergunta de 10 em 10 produtores com produto na câmara fria é: “devo vender já ou esperar?”. Independentemente da tendência ainda apontar para valorização do Feijão-carioca, é recomendável não querer vender no pico do período. A valorização foi para lá de excelente. Já o Feijão-preto está patinando demais e, quanto mais patina, mais gente resolve forçar a venda em momento de poucos compradores, o que afasta a valorização imediata.
