Neste pilar, olhamos para a realidade crua dos números e dos armazéns. O fechamento da sexta-feira revelou uma fragilidade na oferta que sustenta viés de preços altos no curto prazo.
• Resiliência Tensa: O mercado não apenas "acordou", mas acordou pressionado. A liquidez travada não é manobra especulativa de mercado, é falta de produto físico.
• O Patamar de Preço: A saca do Feijão-carioca rodando firme acima de R$ 230/240 em SP, PR e MG confirma que quem tem o produto tem o controle.
• Alerta de Estoques: O dado mais alarmante é o nível de estoque para apenas 15 dias. Operar com 25% da capacidade de segurança (normal seria 60 dias) coloca o mercado em uma posição de extrema vulnerabilidade a qualquer oscilação extra.
• Atraso na "Safra das Águas": O clima não ajudou. A colheita que deveria trazer alívio e volume agora em janeiro está lenta e, pior, com qualidade irregular. Isso cria um submercado onde o Feijão "nota 9" (Premium) fica ainda mais valorizado.
Raciocínio Lógico: Estamos diante de um cenário clássico de escassez de oferta imediata. Não há volume suficiente para baixar o preço nas próximas semanas.
A Nova Onda Americana e a Reclassificação do Produto
Neste pilar, vamos um pouco além do que aconteceu sexta-feira no Brasil, mas do que está para acontecer nas mesas dos Estados Unidos e como isso redefine o valor do nosso produto.
• Validação Científica: A nova diretriz alimentar dos EUA (a "Nova Pirâmide") declarou guerra aos ultraprocessados. Ao pedir "comida real", eles validam o Feijão do mundo não mais como commodity, mas como um ativo de saúde.
• Repositionamento de Marca: Globalmente, o Feijão deixa de ser visto como "comida de subsistência" (barata e para tempos difíceis) e ganha o status de "proteína vegetal não-processada" (premium e desejada).
Raciocínio Lógico: O mundo estará disposto a pagar mais pela qualidade nutricional. Como o passar dos anos , o mercado interno pautará os preços cada vez em maior na paridade de exportação, impulsionada não somente por essa nova consciência americana, mas pela consciência mundial que puxou o consumo para cima na Europa também.
