Depois da reação forte dos primeiros dias da semana, com negócios aparecendo em patamares que não eram vistos há muito tempo em algumas praças, o mercado tirou um dia para ajustar expectativas. Não é queda estrutural. Não é virada de tendência. É aquele momento em que comprador olha para o estoque, produtor olha para o telefone e todo mundo tenta entender se o próximo negócio sai R$ 10 acima, R$ 10 abaixo ou simplesmente não sai.
Por isso, antes de ontem destacamos aqui que era hora de vender. Não porque o mercado acabou, mas porque mercado bom também precisa ser aproveitado. O produtor que travou negócio R$ 10 ou R$ 20 abaixo de uma referência pontual não errou. Longe disso. Erro seria não ter plantado Feijão neste ciclo.
Os valores reportados ontem mostram bem esse cenário. No BR-163, Mato Grosso, houve referência de Feijão Dama nota 8 a R$ 290. No Noroeste de Minas, o Feijão-carioca nota 8 apareceu a R$ 320, enquanto o nota 9 foi reportado a R$ 350. Em Campos Novos, Santa Catarina, Feijão Dama nota 8,5 a R$ 340. No Sul do Paraná, Feijão-preto tipo 2 a R$ 165. No Nordeste do Rio Grande do Sul, Feijão Dama nota 8,5 a R$ 320, com volumes relevantes reportados.
O ponto mais importante está no Rio Grande do Sul. Liquidar Feijão a R$ 320 por saca ali não se via desde 2022/23. Isso não é detalhe. É um sinal de que o mercado reconheceu a escassez relativa, a qualidade disponível e a necessidade de recomposição dos empacotadores.
Naturalmente, alguns dias virão com preços um pouco mais firmes, outros com pequenas acomodações. É assim que mercado físico funciona. O erro de leitura seria transformar cada oscilação diária em tese definitiva. Feijão não sobe em linha reta, mas também não volta para trás só porque ontem respirou.
A leitura para o produtor continua objetiva: quem tem Feijão bom na mão está em posição confortável, mas conforto demais costuma custar caro. Vender bem é melhor do que tentar adivinhar o último centavo do mercado. Neste momento, preço cheio no disponível deve ser respeitado.
Para o comprador, a mensagem também é clara: o mercado não está abundante. Pode até parar um dia ou outro, mas não há sobra de Feijão bom. E quando aparece lote com qualidade, principalmente nota 8,5 para cima, a disputa continua.
O mercado respirou. Só não confundam respiração com fraqueza.
