Mercado mantém viés de baixa, e câmbio pede gestão de risco

Por: IBRAFE,

13 de julho de 2026

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O aumento esperado da oferta a partir do dia 15 reforça a estratégia já indicada pelo Clube Premier: o produtor deve priorizar a liquidez, enquanto os compradores podem agir com paciência. No câmbio, exportadores e produtores devem evitar decisões concentradas e trabalhar com proteção gradual.

 

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

 

Feijão-carioca: a oferta começa a pesar

O mercado de Feijão-carioca manteve viés de baixa na quinta e na sexta-feira. A velocidade desse movimento dependerá diretamente do volume que será efetivamente colhido e colocado à venda nos próximos dias.

As indicações recebidas até agora apontam que, a partir do dia 15, deverá haver um volume maior disponível. Mesmo que a colheita não avance de maneira uniforme em todas as regiões, o simples aumento da oferta tende a alterar o equilíbrio das negociações.

Diante desse cenário, não há motivo para modificar as orientações apresentadas na semana passada.

Ao produtor, a recomendação continua sendo vender rapidamente.

Quando o mercado entra em uma fase de aumento da oferta, esperar por uma recuperação sem sinais concretos pode significar perder oportunidades que ainda estão disponíveis.

Ao comprador, a recomendação permanece a mesma: manter a calma.

Não há necessidade de disputar agressivamente lotes em um momento no qual novas ofertas devem surgir. Isso não significa deixar de comprar produto de qualidade ou os volumes necessários para a operação, mas evitar decisões motivadas apenas pelo receio de falta.

O Premier orienta os dois lados?

Alguns poderão perguntar como o Clube Premier pode recomendar que o produtor venda e, ao mesmo tempo, que o comprador tenha paciência.

A resposta é simples: o Clube Premier é composto por diferentes participantes da cadeia do Feijão. Temos produtores, empacotadores, cerealistas, exportadores, prestadores de serviços e empresas que atuam diretamente no mercado.

Nossa função não é defender artificialmente um único lado da negociação. É interpretar o mercado e oferecer a cada participante a informação mais adequada para proteger seus interesses e melhorar suas decisões.

Além disso, o alcance dessas informações ainda representa uma parcela pequena do mercado nacional. O número de produtores que recebe essas análises está limitado aos participantes do Premier. No grupo de empresas, temos cerca de 40 integrantes, incluindo prestadores de serviços, compradores e exportadores.

Portanto, embora o Clube Premier represente diferentes elos da cadeia, ainda falamos com um número reduzido de agentes quando comparado à dimensão total do mercado brasileiro.

Informação pública e informação estratégica

Quando participamos de entrevistas, divulgamos vídeos ou fornecemos informações aos meios de comunicação, apresentamos uma leitura geral do mercado.

As informações estratégicas, as projeções mais detalhadas, as recomendações de posicionamento e os sinais recebidos diretamente das regiões produtoras e compradoras permanecem reservados aos membros do Clube Premier.

Essa diferenciação é necessária.

O IBRAFE precisa ampliar o número de empresas e produtores que contribuem com seu trabalho. Uma das formas mais objetivas de demonstrar o valor dessa contribuição é oferecer aos participantes acesso a informações que possam efetivamente influenciar decisões comerciais.

Informação pública ajuda a compreender o mercado.

Informação estratégica ajuda a decidir.

Câmbio: dólar próximo de R$ 5,12

Mudando de foco, o câmbio também precisa ser acompanhado com atenção, pois interfere diretamente na exportação, na formação dos preços e nos custos de produção.

O dólar encerrou a semana próximo de R$ 5,12, pressionado pela desaceleração da inflação brasileira em junho e pelo diferencial de juros, que continua favorecendo o real.

Entretanto, o mercado permanece atento ao cenário fiscal brasileiro e à possibilidade de novos cortes na Selic. Esses fatores podem limitar uma valorização adicional do real ou provocar novas oscilações na taxa de câmbio.

O cenário, portanto, não recomenda apostas concentradas em uma única direção.

Orientação aos exportadores

Para os exportadores, pode ser estratégico fixar as vendas em dólares, preservando a receita na moeda americana, e deixar para definir posteriormente o momento da conversão para reais.

Essa estratégia permite separar duas decisões:

  1. a venda do produto no mercado internacional;
  2. a conversão dos dólares recebidos.

Caso o câmbio apresente oportunidades melhores no futuro, o exportador poderá avaliar o momento mais adequado para internalizar os recursos.

Naturalmente, essa decisão deve considerar o fluxo de caixa, os compromissos financeiros e a necessidade de capital em reais. Não se trata de esperar indefinidamente, mas de evitar converter toda a receita em um único momento.

Orientação aos produtores

Para os produtores que precisarão comprar fertilizantes, defensivos, máquinas, peças ou outros itens influenciados pelo dólar, a recomendação é avaliar travas graduais.

Em vez de concentrar toda a compra ou proteção cambial em uma única cotação, pode ser mais prudente dividir a exposição em diferentes momentos.

Essa estratégia reduz o risco de tomar toda a decisão no ponto menos favorável do mercado.

O câmbio poderá continuar oscilando em razão dos juros, da política fiscal brasileira, do cenário internacional e das decisões dos bancos centrais. Por isso, administrar o risco é mais importante do que tentar acertar exatamente o menor ou o maior valor do dólar.

Conclusão

No mercado de Feijão-carioca, o aumento esperado da oferta reforça a recomendação de venda rápida ao produtor e de paciência ao comprador.

No câmbio, exportadores e produtores devem trabalhar com proteção gradual, evitando concentrar decisões em uma única cotação.

Nos dois mercados, o princípio é o mesmo:

não é momento de apostar. É momento de administrar riscos, preservar margens e decidir com base em informação.

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