O Feijão-carioca de melhor qualidade encontra sustentação próxima de R$ 300, enquanto compradores operam apenas para o curto prazo.
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Depois de um início de colheita marcado pelo rápido aumento da oferta, o volume disponível diminuiu em alguns polos de produção. Essa redução foi suficiente para firmar, pelo segundo dia consecutivo, os negócios do Feijão-carioca de melhor qualidade em R$ 300 por saca, no Vale do Araguaia, onde os maiores lotes têm sido negociados.
Os números do Cepea referentes a 22 de julho confirmam esse movimento, embora mostrem diferenças importantes entre regiões e padrões de qualidade. Para o Feijão-carioca peneira 12, ou nota 9 e superior, a média simples das praças pesquisadas ficou próxima de R$ 295,80 por saca.
No Centro e Noroeste de Goiás, a referência foi de R$ 296,13; no Noroeste de Minas, R$ 291,23; e no Sul e Sudoeste mineiro, exatamente R$ 300. No Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, o valor chegou a R$ 315,31. Entretanto, o Leste Goiano registrou R$ 289,72, com queda diária de 1,97%. Portanto, existe sustentação próxima de R$ 300, mas ela ainda não é uniforme. Confira os indicadores do Cepea.
A diferença de qualidade tornou-se ainda mais relevante. Para os lotes de notas 8 e 8,5, a média simples das praças pesquisadas ficou em aproximadamente R$ 276,48 por saca, com referências entre R$ 262,50 e R$ 302,50. Isso indica que os R$ 300 não representam um piso nacional para todos os Feijões, mas uma referência concentrada nos melhores lotes e em determinadas regiões.
A expectativa é de que a oferta volte a aumentar no final da próxima semana, conforme a colheita avance. Dessa forma, para os produtores que já possuem mercadoria disponível, aproveitar as oportunidades dentro dos parâmetros atuais e comercializar rapidamente permanece como a estratégia mais prudente.
Os compradores também conhecem esse cenário. Por enquanto, realizam aquisições suficientes apenas para atender às necessidades imediatas, evitando formar estoques maiores antes da entrada de novos volumes.
No Feijão-preto, o mercado permanece relativamente estável. A faixa de R$ 200 a R$ 220 encontra respaldo principalmente no Sul. O Cepea registrou R$ 210,63 na Metade Sul do Paraná, R$ 217,31 em Curitiba e R$ 209,50 no Oeste Catarinense. Em Itapeva e no Noroeste do Rio Grande do Sul, entretanto, as referências estavam mais elevadas, em R$ 237,17 e R$ 240, respectivamente.
Nas prateleiras, ainda não foi possível identificar uma redução significativa para os consumidores. Isso é natural, pois o varejo continua comercializando estoques adquiridos anteriormente, quando os preços na origem estavam mais altos. O próprio Cepea observa que o campo já reflete o avanço da oferta e a cautela dos compradores, enquanto o varejo ainda incorpora as altas da primeira e da segunda safras. Assim, eventual redução na gôndola deverá ocorrer de maneira gradual e com algum atraso.
