Guerra EUA/Irã: impactos no Feijão do Brasil

Por: IBRAFE,

4 de março de 2026

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Observando um mercado bastante calmo neste início de semana, com estabilidade nos preços, permanece a recomendação: tenha calma. Se você pode esperar até a segunda metade do mês, tenderá a ter mais compradores. Muitos salários serão pagos nesta semana e, na sequência, os compradores voltarão com maior necessidade.

 Mas, enquanto isso, resolvi buscar entender como a guerra EUA/Irã pode impactar o Feijão do Brasil. E, sim, há muitos riscos, principalmente com insumos importados. Por outro lado, em conversas com agrônomos que defendem uma produção mais regenerativa, eles destacaram o seguinte: o cenário global em 2026 desenha um horizonte de incertezas, mas também uma oportunidade sem precedentes para o produtor brasileiro.

 Um eventual conflito envolvendo o Irã não é apenas uma questão diplomática; é um choque direto no custo do Feijão brasileiro e na viabilidade das nossas fazendas. O Irã é um player vital no fornecimento de ureia e o guardião do Estreito de Ormuz, por onde escoa o petróleo que dita o preço do nosso diesel e do frete internacional.

 Nesse contexto, o Feijão convencional torna-se extremamente vulnerável. Ele é, na prática, um “Feijão-petróleo”: depende de fertilizantes nitrogenados importados, de defensivos dolarizados e de uma logística pesada, que sofre com cada centavo de alta no barril do Brent.

Enquanto o dólar sobe pela instabilidade global, as margens do produtor que depende de insumos químicos são espremidas pela “fuga para o dólar” e pela inflação de custos, que encarece o Feijão na gôndola.

 A vantagem estratégica do Feijão Regenerativo

 É aqui que o Feijão Regenerativo deixa de ser uma tendência sustentável para se tornar uma ferramenta de defesa patrimonial. Ao adotar práticas como a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) e o uso de bioinsumos, o produtor do Clube Premier corta o cordão umbilical com as crises do Oriente Médio.

 Em vez de comprar nitrogênio derivado do gás natural iraniano ou russo, ele utiliza a biologia para capturar o nutriente do ar, blindando seu custo de produção de Feijão contra a volatilidade do câmbio e do petróleo.

 A análise dos nossos principais competidores reforça essa urgência para o nosso Feijão:

 Estados Unidos: enfrentam solos exaustos e uma dependência química que torna seus custos de produção rígidos e caros diante da alta dos insumos.
Argentina: com a economia abalada, certamente não tem o melhor cenário para produzir Feijões. Está longe de ser regenerativa.
Myanmar e Austrália: sofrem com riscos logísticos externos e fretes marítimos astronômicos, que encarecem seus produtos no mercado internacional.

 Enquanto o mundo lida com cadeias de suprimento impactadas negativamente, o Brasil tem a chance de liderar com um modelo de baixa dependência externa.

O Feijão Regenerativo oferece maior retenção de água, solo mais resiliente a choques climáticos e, acima de tudo, um custo de produção desatrelado das guerras externas.

 

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