Feijão-carioca baixou? Entenda o que aconteceu ontem

Por: IBRAFE,

3 de junho de 2026

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O maior desafio para estimar o comportamento do mercado de Feijão no Brasil não está no longo prazo. No longo prazo, ainda é possível trabalhar com variáveis mais claras: oferta, demanda, calendário de colheita, qualidade, estoques, clima e consumo.

O problema está no curto prazo. Aí entra uma variável que nenhuma planilha mede direito: a reação do produtor que não acompanha o mercado com boa informação. Aquele que lê o relatório do Brás e pergunta para o comprador o que ele acha do mercado.

 

Ontem tivemos um exemplo claro disso. Foi um caso isolado, mas caiu como uma bomba: a venda da produção de um pivô, ou parte dele, por R$ 400/sc.

Ontem não era dia de produtor vender. Era um excelente dia para comprador comprar. E isso precisa ser dito sem demonizar ninguém. O comprador não é um ser do mal por fazer uma oferta mais baixa e alguém aceitar. Barganha existe em tudo. O produtor barganha quando compra fertilizante, máquina, peça, defensivo e serviço. O cerealista, o empacotador e o comprador também barganham quando compram Feijão.

 

O problema não é a barganha. O problema é entrar nela sem informação.

 

O CEPEA mostra bem a diferença entre preço pontual e leitura de mercado. Nesta terça-feira, 2 de junho, o Feijão-carioca nota 9 ou superior, no Noroeste de Minas, ficou em média a R$ 442,86/sc, queda de 2,31% no dia. No Feijão-carioca nota 8 e 8,5, o Noroeste de Minas apresentou média de R$ 418,89/sc, baixa de 2,87%.

No interior do Paraná, o Noroeste do estado ficou em R$ 380,00/sc, alta de 4,40%, enquanto a Metade Sul do Paraná marcou R$ 367,85/sc, queda de 4,08%. Todos os valores são por saca de 60 kg.

 

Sim, é possível encontrar Feijão-carioca no Paraná abaixo desses valores, até na faixa de R$ 250/sc. Mas aí é preciso olhar o grão. Em muitos casos, estamos falando de Feijão leve, enrugado, manchado, fora do padrão dos melhores pacotes.

A safra paranaense deste ano atende uma parte do mercado, especialmente a faixa de produto mais fraco. Não resolve a demanda por Feijão-carioca de alta qualidade.

Então, por que ontem não era hora de vender?

 

Porque está cada vez mais evidente que os compradores vão voltar. É óbvio que a estratégia será procurar primeiro quem está apavorado e, depois, quem tem produto, pagando o que ele realmente vale. Podem tentar segurar o mercado, reduzir o ritmo, testar o produtor e fazer cara de paisagem na beira do balcão. Mas vão voltar.

E, quando voltarem, a pergunta será simples: haverá Feijão-carioca nota 8,5 ou superior para todo mundo?

Por enquanto, a resposta parece ser não.

 

Esse é o ponto central. Não estamos falando de qualquer Feijão. Estamos falando de grão de pivô, boa peneira, nota 9 ou superior, com padrão que o empacotador consegue colocar no pacote sem precisar rezar antes de entregar.

 

Esse Feijão segue curto. E, quando o comprador percebe que não vai encontrar volume suficiente, volta a pagar mais. Não porque gosta, mas porque precisa.

O lado ruim é que uma nova pressão de alta pode voltar a travar o varejo. O consumidor sente, o supermercado segura pedidos, o empacotador reduz o apetite e o mercado entra naquele jogo de empurra que todo mundo conhece.

 

A leitura de hoje é esta: um negócio isolado a R$ 400/sc não muda a fotografia do mercado. Mas muda o humor. E, no curto prazo do Feijão, humor derruba mais produtor do que fundamento.

Por isso, neste momento, informação vale mais do que palpite. Vender pode ser certo. Esperar pode ser certo. O erro é decidir sem saber o que está acontecendo durante o dia inteiro no mercado.

No Feijão, quem acompanha apenas o preço de ontem já está atrasado.

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