Cai a venda de Feijão nos supermercados em maio  

Por: IBRAFE,

2 de junho de 2026

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Os dados desta rede de supermercados ajudam a explicar por que o mercado de Feijão começa junho com compradores mais cautelosos. Em maio, dentro da categoria básica, o Feijão perdeu volume: caiu de 101.903 para 94.870 unidades vendidas, recuo de 6,90%. Porém, o faturamento subiu forte, passando de R$ 646.702 para R$ 852.321, alta de 31,79%.

 Essa é a fotografia mais importante. O consumidor comprou menos Feijão, mas pagou muito mais por ele. Para o varejo, o Feijão passou a representar 13,21% do faturamento da cesta básica analisada, mesmo com participação de 16,26% no volume. A margem também melhorou, saindo de 8,00% para 9,23%, avanço de 15,41%.

 Ou seja, o Feijão não desapareceu da cesta. Mas ficou mais caro, mais sensível e mais vigiado pelo varejo.

Esse comportamento conversa diretamente com o que apareceu no atacado. O mercado brasileiro de Feijão inicia junho com leve flexibilização nos preços no Sul. Segundo o DERAL, o Feijão-carioca tipo 1 no Paraná recuou para R$ 384,36 por saca de 60 kg, depois de ter flertado com a barreira dos R$ 414,00 no pico de maio. O Feijão-preto tipo 1 também acomodou, ficando na média de R$ 214,42 por saca.

A leitura é simples: o varejo sentiu o consumidor na gôndola. Quando o preço sobe rápido demais, o supermercado reage. Compra menos, pressiona o empacotador, muda o ritmo de reposição e tenta impedir que a alta continue sendo repassada de forma automática.

Do lado das indústrias empacotadoras, a estratégia também parece clara. Com a pressão do varejo, houve redução no ritmo de originação para tentar forçar uma correção nas cotações. Não significa sobra de produto bom. Significa apenas que o comprador resolveu testar o mercado.

 O dado do supermercado mostra que essa reação tem fundamento comercial. O Feijão foi um dos poucos itens da cesta básica com queda de volume e forte aumento de faturamento. Enquanto o consumidor reduziu a quantidade comprada, o caixa da rede cresceu. Isso sustenta a margem por algum tempo, mas tem limite. Feijão caro demais começa a perder giro.

 Para o produtor, a leitura exige cuidado. O recuo no atacado não deve ser confundido automaticamente com mercado frouxo. O que há, neste momento, é uma tentativa de reorganização de preços depois de maio ter sido, provavelmente, o melhor mês do ano para boa parte do Feijão-carioca. Quem tem produto de qualidade ainda precisa observar a oferta real, a necessidade de cobertura das indústrias e o comportamento do varejo nos próximos dias.

 Junho começa com outro jogo. Maio foi preço. Junho será resistência. E, como sempre no Feijão, quem olhar apenas a cotação do dia corre o risco de entender tarde demais o movimento da cadeia inteira.

 

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