O mercado brasileiro de Feijão apresenta hoje duas realidades distintas. De acordo com o CEPEA e o PNF, o Feijão-carioca nota 9 segue em patamares elevados, na casa dos R$ 340,00 em Minas Gerais. No Rio Grande do Sul, a região de Vacaria reportou a comercialização de um lote expressivo de 6.000 sacas ao redor de R$ 345,00, valor que, após os descontos de impostos (como o ICMS), resulta em um líquido próximo de R$ 320,00 para o produtor. Essa firmeza é reflexo direto da quebra de safra no Paraná e da redução de área plantada, uma vez que as condições climáticas não foram favoráveis neste ano para o grão nacional.
Diferentemente do mercado de consumo doméstico, o setor de exportação foca em variedades como o Feijão Mungo (verde e preto). Está confirmado que a Índia estendeu a tarifa zero para o Mungo-preto até o fim de 2026. No Brasil, essas variedades encontram viabilidade em áreas onde o Feijão-carioca não se desenvolve bem. Como não há demanda interna relevante para o Mungo, o preço doméstico dessas variedades permanece baixo, tornando a exportação a rota natural de escoamento. Assim, o sucesso do Feijão Mungo na Ásia não retira produto da mesa do brasileiro, mas consolida novas fronteiras produtoras na segunda safra.
A atenção agora se volta para a chegada de uma nova frente fria prevista para o final desta semana. Embora o ar polar possa trazer chuvas benéficas para o Paraná, o risco de quedas bruscas de temperatura no Sul e em partes do Sudeste reacende o alerta para as lavouras de Feijão-carioca que ainda estão em campo, podendo limitar ainda mais a oferta de grãos nota 9 no curto prazo.
