A planilha abaixo, fornecida por uma rede de supermercados do interior de São Paulo, membro do IBRAFE, deixa a leitura bem objetiva. Nos primeiros 15 dias de fevereiro, no interior paulista, saiu menos Feijão das gôndolas, mas não é possível concluir queda de consumo com base nesse recorte curto. O que aparece com força é adiamento de compra e troca de patamar de preço.
Na categoria Feijão, a quantidade vendida caiu 11,60%, de 56.697 para 50.121 unidades. Ao mesmo tempo, o faturamento subiu 5,17%, de R$ 328.710 para R$ 345.709. A margem também melhorou, passando de 5,85% para 9,31%. Quando isso acontece, o sinal é claro: o consumidor compra menos unidades, mas paga mais caro quando compra. Em outras palavras, a reposição fica mais calculada, há mais busca por oferta e mais tempo até aceitar o novo preço.
O Feijão-carioca 1kg segue mandando no jogo e explica o quadro geral. Ele representa 88,6% do volume e 86,9% do faturamento. Mesmo com queda de 15,83% em quantidade, o faturamento subiu 3,35%. O ponto mais importante: a margem saltou de 2,83% para 7,74%. Isso mostra o varejo ajustando preço e recompondo rentabilidade no item que dita o ritmo da categoria.
O Feijão-preto 1kg, por sua vez, ganhou espaço em volume. A quantidade subiu 46,94% e o faturamento avançou 6,66%. Porém, a margem caiu de 36,73% para 19,80%, sugerindo disputa mais agressiva na ponta, preço promocional e/ou custo pressionando.
O Feijão-carioca 2kg também cresceu, com aumento de 31,20% em volume e 41,79% em faturamento, mas com margem menor — de 19,77% para 12,96% — o que pode indicar tentativa de segurar o ticket no carrinho com pacote maior, porém em condição mais apertada para o varejo.
Quando se junta essa fotografia do varejo com o que aconteceu no pós-carnaval na origem, o desenho fecha. No Paraná, região de Castro, produtores deixaram clara a intenção de testar R$ 350 para Feijão Nota 9 ou melhor. No Noroeste de Minas, a referência segue firme em R$ 320/330 para Feijão de câmara fria.
Ou seja: o ajuste de patamar está em andamento. A ponta produtora segue esticando, o empacotador tenta ganhar tempo para vender antes de recomprar, e o varejo já mostra nos números o mesmo comportamento do consumidor: menos unidades, mais valor por compra.
