As Ervilhas são uma fonte crescente de proteína vegetal, mas geralmente exigem um processamento intensivo.
A demanda por alimentos à base de plantas está aumentando em todo o mundo. As Ervilhas, em particular, são uma fonte crescente de alto teor proteico como substituto da carne. Com sua pequena pegada de carbono, as Ervilhas são sustentáveis para cultivo e proporcionam alta produtividade. No entanto, as variedades de Ervilhas que cultivamos hoje exigem processamento industrial intensivo.
“Hoje em dia, usamos muito poucas variedades de ERVILHA na agricultura, que são produzidas principalmente por suas propriedades como ração para porcos, mas não são destinadas a fornecer proteína para um hambúrguer à base de plantas. Assim como uma maçã não é apenas uma maçã, uma Ervilhas não é apenas uma Ervilhas, mesmo que possa parecer assim no supermercado”, disse o professor associado René Lametsch, do Departamento de Ciência dos Alimentos da Universidade de Copenhague.
Na busca por variedades de Ervilhas adequadas, pesquisadores do Departamento de Ciência dos Alimentos desenvolveram um novo método de IA. Eles o aplicaram ao banco de genes nórdico NordGen, que contém quase 2.000 tipos diferentes de Ervilhas, a fim de identificar variedades antigas que sejam adequadas como fonte de proteína vegetal para consumo humano.
“Os bancos de genes contêm uma enorme variedade que permanece em grande parte inexplorada atualmente. Nosso método possibilita utilizar os recursos vegetais presentes nos bancos de genes e encontrar rapidamente os tipos mais interessantes”, afirmou Lametsch.
Lisas ou enrugadas? 51 variedades promissoras de ERVILHA encontradas
Utilizando o novo método de IA, os pesquisadores encontraram 51 variedades antigas de Ervilhas que não são mais usadas na agricultura, mas que parecem ter propriedades promissoras como alimento vegetal, incluindo alto teor de amido e proteína.
O método consegue medir automaticamente a forma, a cor, o tamanho e a superfície das sementes a partir de fotografias comuns. A combinação de dados de imagem e informações sobre o teor de proteína permite que a IA selecione uma amostra pequena, porém representativa, de Ervilhas, que pode então ser analisada em profundidade.
“Existem características muito variáveis de uma variedade para outra, especialmente em termos de teor de amido e proteína, então pode fazer muito sentido reviver algumas das variedades antigas em nossa busca por bons ingredientes para novos tipos de alimentos à base de plantas”, disse Lametsch.
O estudo mostra que a aparência das sementes está intimamente relacionada à sua composição química. Uma característica em particular — o quão lisa ou enrugada a semente é — está diretamente ligada ao tipo de amido que a Ervilhas contém. Isso significa que, pela primeira vez, os pesquisadores conseguem prever parcialmente as propriedades químicas com base apenas em imagens.
“Observamos uma variação surpreendentemente grande no equilíbrio entre as duas proteínas-chave das Ervilhas, a Pulse e a vicilina — muito maior do que nas variedades comerciais atuais. Isso faz das Ervilhas antigas do banco de genes uma mina de ouro inexplorada para o desenvolvimento de futuros alimentos à base de plantas”, concluiu Lametsch.
Com informações de Food Manufacturing