O mercado ontem
Reportes ao IBRAFE indicam valores estáveis entre R$ 385 FOB Vale do Araguaia e R$ 400 no Nordeste de Minas Gerais.
O volume total de negócios reportados, envolvendo grandes lotes, ficou muito abaixo do que poderia ser considerado normal para esta época do mês. Até o momento, nada leva a crer que haja volume suficiente para reduzir os valores antes de 15 de julho, pelo menos.
Começa a se confirmar uma área maior plantada tardiamente, com colheita prevista para outubro, como consequência direta dos preços que estimulam esse movimento.
Homenagem do IAC ao presidente do IBRAFE reforça que o Feijão deixou de ser tratado apenas como cultura tradicional e passou a ocupar espaço estratégico na agenda de pesquisa, mercado, consumo e segurança alimentar.
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Receber do Instituto Agronômico (IAC) a homenagem como Personalidade do Agronegócio é motivo de gratidão. Mas, para quem acompanha o Clube Premier, o ponto mais importante não é a homenagem em si. É o que ela representa.
O reconhecimento não deve ser visto como algo individual. Ele pertence a uma causa que muitos aqui ajudam a construir todos os dias: dar ao Feijão o tamanho que ele merece dentro do agronegócio brasileiro.
Durante muito tempo, o Feijão foi tratado como alimento básico, quase óbvio, presente no prato do brasileiro, mas pouco lembrado nas grandes estratégias do agronegócio. Isso está mudando. E precisa mudar mais rápido.
O Feijão representa segurança alimentar, renda no campo, oportunidade para pequenos, médios e grandes produtores, alternativa de rotação de culturas, produto de exportação, pauta de saúde pública e também um símbolo da identidade nacional. Poucas cadeias conseguem reunir tudo isso em um único alimento.
A homenagem do IAC tem um peso especial justamente por vir de uma instituição ligada à ciência, à pesquisa e à construção da agricultura moderna no Brasil. O recado é claro: sem pesquisa, sem inovação, sem organização setorial e sem visão de mercado, o Feijão continuará sendo importante, mas não ocupará o espaço estratégico que pode alcançar.
O IBRAFE chega aos 20 anos com essa missão cada vez mais evidente: aproximar o campo da pesquisa, a produção do consumo, o mercado interno da exportação e a tradição da inovação.
O desafio agora não é transformar esse reconhecimento em ponto de chegada. Ao contrário. Ele aumenta a responsabilidade.
O setor precisa avançar em sementes, qualidade, rastreabilidade, consumo, comunicação, exportação e políticas públicas. Precisa falar com mais força. Precisa ocupar os espaços onde as decisões são tomadas. Precisa mostrar que alimento de verdade também é agenda econômica, social e estratégica.
Por isso, esta homenagem é recebida com gratidão, mas também com senso de compromisso.
O Feijão alimenta milhões de brasileiros todos os dias. Agora, precisa alimentar também uma nova visão de futuro para o agronegócio brasileiro.
Muito obrigado, IAC.
Marcelo Eduardo Lüders
