Entre quinta e sexta-feira o movimento de compradores foi bastante forte. O fato novo lá foi que dominaram as compras os nordestinos. Esgotadas as opções mais próximas na Bahia, Minas Gerais a pressão migou para Mato Grosso.
Lá cerca de 50000 sacos foram vendidos Feijão-carioca armazenado. Preços entre R$ 280/290. Nas fontes aumentou muito as chances de nos poucos lotes disponíveis ou que venham a ser colhidos aumentem os preços.
A partir da gentil informação cedida por uma rede de supermercados de 15 lojas no interior de São Paulo, podemos ter ideia do que acontece no estado com 46 milhões de habitantes. No mês, a categoria Feijão cresceu 2,07% em quantidade. No trimestre, Janeiro a Março o avanço também apareceu, com alta de 1,88%. Ou seja, o consumidor não abandonou o Feijão. Pode ter ajustado mix, pode ter migrado entre apresentações e tipos, mas a categoria, no agregado, continuou girando. E isso tem peso estratégico. Quando o faturamento sobe forte e o volume também sobe, ainda que pouco, o sinal não é destruição de demanda. O sinal é que o Feijão segue sendo item essencial, mesmo com preços mais altos.
O que chama atenção, portanto, não é uma suposta fuga do consumidor. O problema está em outro lugar: a margem. Em março, o faturamento da categoria avançou muito mais do que a quantidade, mas a margem caiu de forma dura. Traduzindo sem enfeite: vendeu mais, faturou mais, mas sobrou menos. No trimestre, a mesma lógica aparece, só que março escancarou isso com mais força.
O Feijão-carioca 1kg continua sendo o coração da categoria, mas perdeu volume. Ao mesmo tempo, outros itens compensaram esse movimento, preservando o crescimento do volume total. Então a leitura correta não é queda de consumo. A leitura correta é reorganização interna da demanda, com o consumidor continuando na categoria Feijão, mesmo sob pressão de preço.
Para quem acompanha o mercado com seriedade, a conclusão é clara: o Feijão segue firme no carrinho. O varejo até consegue repassar preços, mas não está transformando isso em rentabilidade na mesma proporção. O consumo resistiu. A margem, não. É aí que está a informação que interessa.
