O ponto prático é o timing: parte do volume que está sendo nacionalizado agora foi comprada há cerca de 10 a 15 dias, e esse intervalo costuma ocorrer porque o lote precisa passar por checagem de resíduos antes de ganhar fluidez comercial no Brasil. Não é “burocracia”: é risco de compliance.
No caso do glifosato, por exemplo, no Brasil ele não é registrado para dessecação pré-colheita do Feijão, e órgãos técnicos alertam que esse uso é proibido. Do lado regulatório, a Anvisa mantém monografia com definições de resíduo e LMR para glifosato, o que reforça por que importador sério prefere analisar antes de distribuir.
O efeito de mercado é direto: esse Feijão-preto importado, quando entra com custo “antigo” (base do ano passado), funciona como teto psicológico e pode segurar uma valorização mais acelerada do nosso Feijão no curto prazo. Só que não resolve o problema estrutural: se o Brasil está firme por oferta e por necessidade de cobertura, o importado apenas desacelera a alta, não muda a direção.
Argentina exportando Feijão-preto
Ontem, um comerciante da região dos Campos Gerais me disse: “Estão ofertando valores mais baixos, mas é perda de tempo; o produtor não aceita”. Outro, da mesma região, disse: “Amigo, tô na beira do rio, vim pescar, volto domingo; é perda de tempo agora tentar pegar produtor no contrapé e comprar barato. Hoje perde o produtor. Prefiro dizer: se não precisa, espere”.
As observações são válidas tanto para o Feijão-carioca quanto para o Feijão-preto. Sobre a Argentina, há um detalhe que pouca gente coloca na conta: argentino também faz conta. Com o Brasil pagando melhor, não faz sentido liquidar o estoque a preços baixos, nem lá, nem aqui.
Se o fluxo de importação não for volumoso e contínuo, o mercado do Feijão-preto segue firme, apenas com mais “referência” na mesa e mais disputa na formação de preços.
