Uso de microrganismos no Feijão-comum

Por: IBRAFE,

20 de setembro de 2022

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Por: Fernanda Chemim, Eng.ª Agrônoma, IBRAFE   

A necessidade de novas tecnologias capazes de diminuir ou substituir o uso de adubação mineral nas culturas agrícolas tem movido o setor de pesquisa para que cada vez mais soluções e facilidades sejam disponibilizadas para o produtor, facilitando o plantio e o rendimento das propriedades.

O número de pesquisas com uso de microrganismos vem crescendo, assim como o incentivo, tanto por parte das agências de pesquisa quando do governo brasileiro, por meio de programas, leis e normativas para produção inclusive na própria propriedade, os on farms. Mas é importante lembrar que para a produção na própria propriedade é preciso ter conhecimento técnico, cautela e infraestrutura adequada para que a oportunidade venha a trazer benefícios à propriedade e evitar danos.

Diante disso, inúmeros estudos vêm sendo feitos, desde o uso de microrganismos multifuncionais para proporcionar aumento da produtividade; uso no controle de pragas; uso para a indução de resistência; inoculação e reinoculação, entre outros.

O uso de microrganismos acaba não sendo apenas benéfico para a planta, no caso aqui, o Feijão, mas o uso de microrganismos multifuncionais, por exemplo, pode proporcionar aumento de produtividade, crescimento vegetal, melhoria na qualidade do solo, aumento dos teores de carbono e incrementos na biodiversidade.

Aumento da Produtividade

Um estudo conduzido pela EMBRAPA Arroz e Feijão e a UFG (Universidade Federal de Goiás), em Santo Antônio de Goiás, na safra 19-20, analisou a utilização microrganismos multifuncionais na produtividade do Feijão-comum e registrou o aumento de 17% de incremento no número de grãos por vagem e na produtividade, com a mistura dos microrganismos Serratia sp. + Trichoderma koningiopsis. Os microrganismos foram aplicados no sulco durante o processo de semeadura do Feijão-comum.

Esse aumento pode ter ocorrido devido a capacidade dos microrganismos de proporcionar incrementos no desenvolvimento das plantas pela produção de hormônios de crescimento, aumento das taxas gasosas e na absorção de nutrientes. Portanto, a tecnologia demonstrou ser alternativa viável no cenário agrícola devido ao fácil manuseio, baixo investimento, incremento produtivo e solução sustentável.

Outro estudo realizado pela UNEMAT (Universidade do Estado do Mato Grosso) e Unesp (Universidade Estadual Paulista), no município de Selvíria-MS, avaliando Trichoderma atroviride e sua influência sobre a produtividade do feijoeiro comum, a campo, também apontou que a aplicação de T. atroviride a partir de 1,0 kg ha-1 de T. atroviride em V3 aumentou a produtividade do feijoeiro, da cultivar IPR - Campos Gerais. O uso de fungos do gênero Trichoderma pode ser uma alternativa viável do ponto de vista ambiental devido a versatilidade dos seus mecanismos de ação podendo corroborar com a sustentabilidade do setor.

Mais um estudo realizado pela UFG e a EMBRAPA, na cidade de Guapó-GO, analisando a influência da inoculação com isolados de rizóbio no acúmulo e eficiência de uso de micronutrientes no Feijão-comum em solos de Cerrado, com base nos resultados, pode-se inferir que a inoculação proporcionou incrementos no acúmulo e eficiência de uso dos micronutrientes estudados, Cu, Fe, Mn e Zn. Inclusive, as novas estirpes de rizóbio promoveram resultados satisfatórios quando comparado às estirpes padrão e à testemunha nitrogenada.

O incremento encontrado para o acúmulo desses micronutrientes pode ser explicado devido os microrganismos atuarem nutricionalmente sobre o metabolismo vegetal, possuindo alta atividade microbiana, sendo capaz de proporcionar maior proteção e resistência à planta contra agentes externos, além de atuar na ciclagem de nutrientes no solo.

Inoculação e Reinoculação

Para que haja uma melhor eficiência do sistema produtivo, por intermédio da fixação biológica de nitrogênio (FBN), é comum que se faça uso da inoculação das sementes com cepas da bactéria do gênero Rhizobium.  A reinoculação suplementar do Rhizobium, pressupõe que esta técnica prolongue a FBN durante o ciclo da cultura, suprindo sua exigência nutricional de N.

Em um experimento conduzido na safra das águas de 2019/2020, na área experimental da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Ipameri-GO, pela Unesp e FCA (Faculdade de Ciências Aplicadas da UNICAMP), observou que a inoculação via semente combinado com reinoculação suplementar proporcionou um incremento de 2.827 kg ha-1 na produtividade de grãos do Feijão-comum, pertencente a cultivar BRS Valente, em relação a adubação nitrogenada mineral.

Outro estudo da EMBRAPA, avaliando a eficiência da inoculação por pulverização de rizóbio em diferentes estádios de crescimento do feijoeiro, concluiu que a aplicação de inoculante via semente + estádio V4 (T3) apresentou os maiores valores para produtividade e PCG (Peso de Cem Grãos) da cultivar BRS FC402 em condições de campo.

Controle de Pragas

Mais um estudo feito pela EMBRAPA Arroz e Feijão, analisando a virulência de Cordyceps javanica, observou que o fungo C. javanica causa mortalidade total e infecções >88% em lagartas de 2º. ínstar de Helicoverpa armígera, apresentando potencial para o controle microbiano desta praga. Além de que, também está em processo de registro para o controle da mosca-branca, Bemisia tabaci, uma vez que também se apresenta como um importante regulador natural deste inseto.

Indutor de Resistência

A indução de resistência pode ser uma ferramenta útil a ser incorporada no manejo integrado e tem por definição o aumento da capacidade de defesa, ativada por estímulos específicos, através da qual a defesa inata vegetal é potencializada contra problemas bióticos.

Um experimento da UNEMAT com a Unesp, avaliando o potencial do uso de Trichoderma como indutor de resistência em plantas de feijoeiro, utilizando como referência de indução de resistência o produto comercial Bion (Acibenzolar-SMetílico) e a levedura Saccharomyces cerevisiae, verificou que a produção da fitoalexina faseolina, em hipocótilo de feijoeiro, elicitada por Trichoderma atroviride foi superior aos demais produtos testados, independente da forma de esterilização demonstrando seu potencial para uso como indutor de resistência. A hipótese verificada na pesquisa é que o T. atroviride induzirá a resistência pela produção de faseolina, em hipocótilos de feijoeiro

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