Feijão-carioca de escurecimento lento abre novas possibilidades

Por: IBRAFE,

30 de agosto de 2022

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Cultivares beneficiam todos os integrantes da cadeia

Os Feijões de escurecimento lento mudaram a realidade do setor no Brasil. Desde os produtores até o consumidor final, todos se beneficiam desse diferencial que garante a cor e qualidade do grão por um período mais longo, possibilitando armazenagem e oferta mesmo em períodos de entressafra.

Há alguns anos, os principais centros de desenvolvimento e pesquisa agrícola do país – como IAC, EMBRAPA, TAA e AGRONORTE – têm se dedicado ao melhoramento de novas cultivares que permitissem mais flexibilidade, principalmente de tempo entre colheita e consumo. Caldo e grão com boa cor, sabor suave e textura ideal. Tudo isso é fruto do trabalho dos pesquisadores. Há um trabalho permanente também com a produtividade, que precisa estar alinhada ao controle de custos de produção.

Benefício para o produtor, revolução no setor

Atualmente, temos cerca de 10 opções de Feijões com escurecimento lento, com a possibilidade de armazenagem entre três e doze meses. Segundo Marcelo Eduardo Lüders, presidente do IBRAFE – Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses – o que está em curso é uma grande revolução no setor. O poder de negociar quando mais lhe convém deu ao produtor a possibilidade de, pelo menos, quanto à qualidade, não ter preocupação e vender quando colhe. Para o Feijão-carioca tinham, na comercialização, o mesmo comportamento que as verduras: colheu, vendeu, se esperavam, o produto perdia qualidade. Agora não, vende quando entende ser o melhor momento. Isto para o Feijão colhido sob irrigação significou viabilizar o plantio neste ambiente. Há e haverá concentração de oferta no momento de colheita, mas podendo armazenar isso viabiliza o uso desta tecnologia de produção.

Para o engenheiro agrônomo e consultor de Agrossistemas, Dr. José Roberto Menezes, as novas cultivares revolucionaram o mercado para os Feijões claros. “Essas variedades, em um prazo relativamente curto, apresentam uma série de vantagens para toda a cadeia, desde o produtor, que tem mais facilidade de produção sem perda de qualidade, passando pelo comércio, que ganha com mais opções de Feijões aptos ao consumo, finalizando no consumidor que, graças a maior distribuição anual, terá sempre oferta de produtos de qualidade”.

O diretor-geral do IAC, Dr. Sérgio Augusto Morais Carbonell, explica que tudo começou por uma demanda de mercado/consumo por produtos de melhor qualidade visual no pacote. “Há uma desconfiança do consumidor que Feijões escurecidos são velhos e duros. O lançamento das cultivares com tolerância ao escurecimento auxilia nesse quesito”.

Ele explica que esses Feijões requerem condições de armazenagem especial, com umidade e temperatura ideais. Porém, segundo Dr. Carbonell, o custo de produção não se eleva tanto em comparação ao Feijão sem tolerância ao escurecimento.

Esses Feijões deram ao agricultor o "poder" de decidir a hora de vender o produto. Para a indústria, manteve o produto mais tempo na prateleira. Sendo assim, funciona, algumas vezes, como regulador de preço e produção devido a possibilidade de construção de estoques com qualidade”, afirma o diretor.

Maior possibilidade de comercialização

“Eles mudaram a forma de produzir, comercializar e consumir Feijões no Brasil. Inseriram na cadeia produtiva uma série de vantagens e possibilitaram maior segurança alimentar com a oferta mais distribuída ao longo do ano. O Dama, por exemplo, permite que os agricultores tenham uma contribuição muito importante na alimentação do Brasil, já que o armazenamento hoje é feito por eles, tirando a responsabilidade do governo. Sem esses Feijões, no final da estação chuvosa entre janeiro e março o Brasil tinha um Feijão de péssima qualidade em função do regime de chuvas”, acrescentou Dr. Menezes.

Para os produtores que estão armazenando, o desafio é grande. Ter um armazém climatizado no âmbito dos investimentos que são necessários dentro da propriedade não são itens tão caros e compensam o ganho de tempo. “O Polaco dura seis meses na câmara fria, enquanto o normal dura 60 dias. Isso é uma evolução porque eu consigo ter um preço por cor semelhante aos outros – que é o que a dona de casa valoriza – sem ter colhido na hora”, declarou o produtor Pedro Merola, da Região Centro-Oeste, que favorece o plantio dos Feijões de escurecimento lento, pelas condições de clima favoráveis, com o auxílio da irrigação.

Abaixo as cultivares com tolerância ao escurecimento e provável tempo de manutenção em ambiente ameno (não quente e não necessariamente em câmara fria/escuro):

Cultivar Ano Tempo de armazenagem
IAC Aruã 1996 6 a 12 meses
IAC Alvorada 2007 3 a 6 meses
Branquinho 2010 6 a 12 meses
ANFc9 2012 6 a 9 meses
BRS MG Madrepérola 2012 6 a 12 meses
TAA Dama 2013 6 a 12 meses
IAC 1849 Polaco 2019 3 a 6 meses
IAC 2051 2020 6 a 12 meses
BRS FC 415 2022 6 a 12 meses

 

 

 

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