O Gergelim Preto ganhou destaque nas redes sociais e se tornou um dos alimentos à base de plantas mais comentados do momento. A coloração intensa e o sabor marcante, semelhante ao de nozes, ajudaram a impulsionar sua popularidade — acompanhada de promessas de benefícios que vão desde o controle da glicemia até a redução do risco cardiovascular e até efeitos sobre o envelhecimento capilar.
Mas até que ponto essas alegações são sustentadas pela ciência?
Diferenças nutricionais chamam atenção
As sementes de Gergelim — disponíveis nas versões Branca, Amarela e Preta — são utilizadas há séculos, especialmente na culinária asiática. Além da versatilidade, destacam-se pelo valor nutricional, sendo fontes relevantes de proteína e gorduras saudáveis.
O Gergelim Preto, em particular, apresenta concentrações mais elevadas de gordura, proteína e carboidratos, além de maior densidade energética. Também tende a concentrar níveis superiores de vitaminas e minerais em comparação ao Gergelim Branco.
Apesar disso, especialistas alertam: os valores nutricionais costumam ser medidos em porções de 100 gramas — uma quantidade pouco comum no consumo diário, já que o ingrediente geralmente aparece como complemento em preparações como pães, refogados, pastas (como tahine) e confeitaria.
Antioxidantes e compostos bioativos
Um dos principais argumentos a favor do Gergelim Preto está na sua maior concentração de compostos antioxidantes.
Essas sementes são ricas em fenóis e lignanas — especialmente a sesamina — substâncias associadas à proteção contra danos celulares causados pelos radicais livres. Estudos laboratoriais e em animais indicam potenciais efeitos positivos, como:
- Redução do colesterol
- Diminuição da pressão arterial
- Ação antioxidante e anti-inflamatória
- Possível efeito antitumoral
No entanto, pesquisadores destacam que resultados observados em laboratório nem sempre se traduzem diretamente em benefícios comprovados em humanos.
Evidências clínicas ainda são limitadas
Uma revisão sistemática que reuniu seis estudos com 465 participantes analisou os efeitos do consumo de Gergelim (em diferentes formas). Os resultados apontaram reduções no índice de massa corporal (IMC), na pressão arterial e no colesterol.
Apesar disso, os próprios autores classificaram as evidências como de baixa qualidade, devido a limitações metodológicas, como ausência de placebo e falta de controle rigoroso em alguns estudos.
No caso específico do Gergelim Preto, apenas um estudo foi identificado. Nele, a ingestão diária de 2,52 g em cápsulas durante quatro semanas resultou na redução da pressão arterial sistólica em indivíduos com pré-hipertensão.
Fatores de atenção: antinutrientes e alergias
As sementes de Gergelim também contêm compostos chamados antinutrientes, como ácido fítico e ácido oxálico, que podem reduzir a absorção de minerais como ferro, cálcio e zinco.
Para a maioria das pessoas, isso não representa um problema. No entanto, indivíduos com deficiência nutricional devem moderar o consumo e buscar orientação profissional.
Outro ponto relevante é o aumento dos casos de alergia ao Gergelim, que já afeta entre 0,1% e 0,9% da população mundial e pode provocar reações que variam de leves a graves.
Tendência ou exagero?
Apesar do entusiasmo nas redes sociais, especialistas reforçam que não há evidências suficientes para afirmar que o Gergelim Preto seja significativamente superior ao Gergelim Branco em termos de impacto na saúde.
Além disso, alegações como a reversão de cabelos grisalhos não possuem respaldo científico.
Conclusão
O Gergelim Preto é, sem dúvida, um alimento nutritivo e pode ser incorporado a uma dieta equilibrada. No entanto, seu consumo deve ser encarado como parte de um padrão alimentar mais amplo — e não como solução isolada.
A recomendação segue a mesma: variedade e equilíbrio continuam sendo os pilares de uma alimentação saudável.
Reportagem original publicada por Science Alert
Disponível em: https://www.sciencealert.com/black-sesame-are-the-viral-health-claims-true-heres-the-science