O mercado internacional de pulses vive um momento de alta tensão logística e comercial diante da escalada da guerra no Oriente Médio. Nos últimos dias, o agravamento do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e aliados provocou impactos diretos nas rotas marítimas globais, afetando não apenas o petróleo, mas também o comércio de alimentos, incluindo Feijões, lentilhas, ervilhas e grão-de-bico.
A região do Golfo, especialmente o Estreito de Ormuz — por onde passa uma parcela significativa do comércio global — enfrenta forte restrição de tráfego marítimo, com queda acentuada no fluxo de embarcações e aumento do risco para navios comerciais.
Esse cenário já começa a atingir o mercado de pulses de forma concreta.
Vendas travadas e contratos suspensos
De acordo com informações recentes do mercado internacional, as vendas de pulses para o Oriente Médio e Norte da África (MENA) estão praticamente “congeladas”. A região é um dos principais destinos globais, especialmente para exportadores como Canadá e Austrália.
Somente em 2025, o Oriente Médio importou cerca de 801 mil toneladas de pulses do Canadá, movimentando aproximadamente US$ 769 milhões — o que mostra o peso estratégico desse mercado.
Com a escalada do conflito, compradores têm evitado fechar novos contratos, diante da incerteza logística e do risco de atrasos ou interrupções no transporte.
Logística global em colapso parcial
O impacto mais imediato ocorre na logística. O fechamento ou restrição do Estreito de Ormuz e a insegurança nas rotas marítimas estão provocando uma reorganização forçada das cadeias globais de suprimento.
Empresas de transporte já relatam:
- Redirecionamento de cargas para portos alternativos
- Suspensão temporária de embarques em regiões estratégicas
- Aumento expressivo dos custos de frete
No caso específico das pulses, há registros de que embarques de alimentos a partir dos Emirados Árabes Unidos foram interrompidos, afetando inclusive fluxos de exportação africanos.
Além disso, companhias marítimas passaram a aplicar sobretaxas de guerra que variam entre US$ 1.700 e US$ 2.500 por contêiner, pressionando ainda mais os custos do comércio internacional.
Segundo a gigante logística Maersk, o conflito já está “disruptando grandes corredores comerciais globais”, com efeitos que vão muito além da região.
Efeito dominó: energia cara e pressão sobre alimentos
Embora o impacto direto sobre pulses esteja ligado à logística, o efeito indireto vem do aumento nos custos de energia e insumos agrícolas.
A guerra já elevou significativamente os preços do petróleo e gás, além de afetar a produção de fertilizantes — insumos fundamentais para a agricultura global.
Com isso, especialistas alertam para um possível aumento nos preços dos alimentos, especialmente em países importadores, que dependem de cadeias longas e vulneráveis.
Principais exportadores sob pressão
O cenário atual atinge diretamente os maiores exportadores globais de pulses:
- Canadá – líder mundial em exportação de lentilhas e ervilhas
- Austrália – forte exportador de grão-de-bico
- Índia – grande produtor e importador estratégico
- Rússia e países do Leste Europeu – com crescente participação no mercado
- África (especialmente Tanzânia e Moçambique) – importantes fornecedores de feijão e gergelim
Esses países dependem fortemente de rotas marítimas para abastecer mercados como Oriente Médio, Norte da África e Ásia — regiões altamente sensíveis ao atual conflito.
Risco e oportunidade para novos players
Com a instabilidade, compradores globais tendem a buscar fornecedores mais confiáveis e rotas alternativas. Esse movimento pode abrir espaço para países com capacidade produtiva, regularidade de oferta e menor exposição logística.
Nesse contexto, o Brasil ganha relevância como potencial fornecedor estratégico, especialmente diante do crescimento da produção de pulses e da diversificação das exportações nos últimos anos.
Um mercado em alerta
A crise no Oriente Médio reforça um ponto central para o mercado global de pulses: a dependência de rotas logísticas críticas e a vulnerabilidade a eventos geopolíticos.
Com contratos suspensos, fretes mais caros e incerteza crescente, o setor entra em um período de cautela — em que decisões comerciais passam a considerar não apenas preço e oferta, mas também segurança logística e previsibilidade.
Fontes:
Reuters / cobertura sobre guerra e logística global
Global Pulse Confederation
Pulse Canada / dados de exportação
https://www.producer.com/news/pulse-sales-to-middle-east-markets-are-frozen/?utm_
Maersk – Impacto do conflito nas cadeias globais
Relatórios de mercado internacional de pulses (Global Pulses, Producer.com)
https://globalpulses.com/?utm_