Guerra no Oriente Médio pressiona mercado global de pulses e acende alerta entre exportadores

Por: Reuters / cobertura sobre guerra e logística global,

18 de março de 2026

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O mercado internacional de pulses vive um momento de alta tensão logística e comercial diante da escalada da guerra no Oriente Médio. Nos últimos dias, o agravamento do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e aliados provocou impactos diretos nas rotas marítimas globais, afetando não apenas o petróleo, mas também o comércio de alimentos, incluindo Feijões, lentilhas, ervilhas e grão-de-bico.

A região do Golfo, especialmente o Estreito de Ormuz — por onde passa uma parcela significativa do comércio global — enfrenta forte restrição de tráfego marítimo, com queda acentuada no fluxo de embarcações e aumento do risco para navios comerciais.

Esse cenário já começa a atingir o mercado de pulses de forma concreta.

Vendas travadas e contratos suspensos

De acordo com informações recentes do mercado internacional, as vendas de pulses para o Oriente Médio e Norte da África (MENA) estão praticamente “congeladas”. A região é um dos principais destinos globais, especialmente para exportadores como Canadá e Austrália.

Somente em 2025, o Oriente Médio importou cerca de 801 mil toneladas de pulses do Canadá, movimentando aproximadamente US$ 769 milhões — o que mostra o peso estratégico desse mercado.

Com a escalada do conflito, compradores têm evitado fechar novos contratos, diante da incerteza logística e do risco de atrasos ou interrupções no transporte.

Logística global em colapso parcial

O impacto mais imediato ocorre na logística. O fechamento ou restrição do Estreito de Ormuz e a insegurança nas rotas marítimas estão provocando uma reorganização forçada das cadeias globais de suprimento.

Empresas de transporte já relatam:

  • Redirecionamento de cargas para portos alternativos
  • Suspensão temporária de embarques em regiões estratégicas
  • Aumento expressivo dos custos de frete

No caso específico das pulses, há registros de que embarques de alimentos a partir dos Emirados Árabes Unidos foram interrompidos, afetando inclusive fluxos de exportação africanos.

Além disso, companhias marítimas passaram a aplicar sobretaxas de guerra que variam entre US$ 1.700 e US$ 2.500 por contêiner, pressionando ainda mais os custos do comércio internacional.

Segundo a gigante logística Maersk, o conflito já está “disruptando grandes corredores comerciais globais”, com efeitos que vão muito além da região.

Efeito dominó: energia cara e pressão sobre alimentos

Embora o impacto direto sobre pulses esteja ligado à logística, o efeito indireto vem do aumento nos custos de energia e insumos agrícolas.

A guerra já elevou significativamente os preços do petróleo e gás, além de afetar a produção de fertilizantes — insumos fundamentais para a agricultura global.

Com isso, especialistas alertam para um possível aumento nos preços dos alimentos, especialmente em países importadores, que dependem de cadeias longas e vulneráveis.

Principais exportadores sob pressão

O cenário atual atinge diretamente os maiores exportadores globais de pulses:

  • Canadá – líder mundial em exportação de lentilhas e ervilhas
  • Austrália – forte exportador de grão-de-bico
  • Índia – grande produtor e importador estratégico
  • Rússia e países do Leste Europeu – com crescente participação no mercado
  • África (especialmente Tanzânia e Moçambique) – importantes fornecedores de feijão e gergelim

Esses países dependem fortemente de rotas marítimas para abastecer mercados como Oriente Médio, Norte da África e Ásia — regiões altamente sensíveis ao atual conflito.

Risco e oportunidade para novos players

Com a instabilidade, compradores globais tendem a buscar fornecedores mais confiáveis e rotas alternativas. Esse movimento pode abrir espaço para países com capacidade produtiva, regularidade de oferta e menor exposição logística.

Nesse contexto, o Brasil ganha relevância como potencial fornecedor estratégico, especialmente diante do crescimento da produção de pulses e da diversificação das exportações nos últimos anos.

Um mercado em alerta

A crise no Oriente Médio reforça um ponto central para o mercado global de pulses: a dependência de rotas logísticas críticas e a vulnerabilidade a eventos geopolíticos.

Com contratos suspensos, fretes mais caros e incerteza crescente, o setor entra em um período de cautela — em que decisões comerciais passam a considerar não apenas preço e oferta, mas também segurança logística e previsibilidade.

Fontes:

Reuters / cobertura sobre guerra e logística global

Global Pulse Confederation

https://pulsepod.globalpulses.com/trade-talk/post/conflict-in-the-middle-east-the-uae-government-acted-fast-to-open-up-alternative-ports?utm_

Pulse Canada / dados de exportação

https://www.producer.com/news/pulse-sales-to-middle-east-markets-are-frozen/?utm_

Maersk – Impacto do conflito nas cadeias globais

https://www.maersk.com/news/articles/2026/03/13/middle-east-conflict-impact-global-supply-chains?utm_

Relatórios de mercado internacional de pulses (Global Pulses, Producer.com)

https://globalpulses.com/?utm_

 

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