Embora os prejuízos causados pela chuva nas lavouras de Feijão do Paraná ainda não tenham sido contabilizadas, os preços da leguminosa no principal Estado produtor do país já sinalizam alta diante das perspectivas de menor oferta este ano. Com cerca de 79% da área esperada já plantada, as precipitações acima da média têm prejudicado a qualidade e o desenvolvimento da cultura chegando a causar, em alguns casos, perda total aos produtores.
“Tanto para quem está tentando plantar quanto para quem já plantou, a situação começa a ficar mais delicada. Justamente as regiões que são as maiores produtoras são as que, por coincidência, estão recebendo os maiores volumes de chuva, que é o sudoeste do Estado, região Centro-Sul e Campos Gerais”, observa a técnica do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP/SENAR-PR, Ana Paula Kowalski.
De acordo com levantamento do Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura do Paraná (Deral), o preço médio recebido pelo produtor paranaense de Feijão cores, que inclui o carioca (o mais consumido no país) ficou em R$ 204,99 a saca de 60 quilos em outubro, alta de 12,3% ante setembro.
“O mercado está fortemente ancorado no clima neste momento. Temos um hiato de oferta até as próximas colheitas e até lá os preços têm espaço para novas altas, como já vem acontecendo”, detalha o consultor especialista em arroz e Feijão da Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
Os números levantados pela consultoria apontam para um preço médio de R$ 230,54 a saca de 60 quilos do Feijão carioca no Paraná ante R$ 219,92 há uma semana e R$ 209,46 no ano passado.
“Estamos em um cenário de atenção principalmente na região Sul por conta do excesso de umidade e erosão de solo. O pessoal está bem atento, mas até então não há nada muito preocupante reportado”, destaca Oliveira. De acordo com ele, os impactos têm sido pontuais e as perspectivas para as demais regiões produtoras, sobretudo Centro-Oeste e Sudeste, são positivas.
De acordo com a última atualização sobre as condições das lavouras paranaenses divulgada pelo Deral, 83% da área de Feijão do Estado estava em boas condições de desenvolvimento até o último dia 23, uma piora de dez pontos percentuais em relação à semana anterior. A perspectiva é de que o órgão aponte nova piora no boletim a ser divulgado na terça-feira (31/10).
“Se não parar a chuva e esse tempo nublado nessas regiões, a situação não é de melhoria na condição das lavouras”, destaca Kowalski. A avaliação da FAEP é de que mesmo que os produtores tenham tempo hábil para realizar o replantio, as más condições climáticas ainda deverão comprometer o desenvolvimento das lavouras.
“Já faz pelo menos quatro safras que a gente tem algum tipo de perda no Feijão, seja no verão ou no inverno. Então é uma perda significativa numa cultura que é importante nessas regiões”, ressalta Ana Paula.
A previsão da Safras & Mercado para 2023/24 é de queda de 6,09% na área plantada com Feijão cores no Brasil, para 1,071 milhão de hectares, com uma produção 2,67% menor em relação à safra anterior, com 1,84 milhão de toneladas. No Paraná, a previsão do Deral, divulgada no último dia 26 (portanto antes das chuvas do último final de semana) era de uma colheita de 215,64 mil toneladas nesta temporada.
Fonte: https://globorural.globo.com/agricultura/feijao/noticia/2023/10/chuva-afeta-feijo-no-paran-e-preos-reagem-no-estado.ghtml