O longo mês de agosto começa a dar sinais de mudança. Para os empacotadores de Feijão, é hora de se anteciparem e firmarem compras. Ninguém quer deixar para a última semana do mês ou para o início de setembro. Desde o início da semana, lotes maiores têm encontrado saída, o que reforça a leitura de que o mercado começa a aquecer.
Ontem, no Noroeste de Minas Gerais, foi registrado o primeiro negócio a R$ 230, com 20 dias de prazo. É importante observar que não se trata ainda de uma nova referência, mas sim de um lote muito especial de Feijão-carioca, com nota 9/9,5, peneira acima de 92 de 12 e cor atrativa. A maioria dos negócios continua em torno de R$ 220. No Mato Grosso, compradores seguem ativos em busca de lotes extras com pelo menos 12% de umidade, pagando R$ 200 por saca.
A Novidade
A grande novidade do dia, no entanto, veio do campo político. O deputado federal paranaense Zeca Dirceu anunciou que a CONAB finalmente vai intervir no mercado do Feijão-preto. Segundo ele, o preço de referência de mercado, hoje ao redor de R$ 130, está muito abaixo do custo de produção, que o deputado estima em R$ 180. O pedido havia sido protocolado ainda em maio e só agora superou os entraves burocráticos de Brasília.
Resta avaliar o volume de compras que a CONAB estará disposta a realizar, mas a sinalização abre espaço para uma possível reação no Feijão-preto. Se a intervenção tiver escala, pode devolver ao mercado parte da confiança perdida e influenciar diretamente a formação de preços nos próximos dias.