O governo dos Estados Unidos anunciou recentemente as novas diretrizes alimentares para o período de 2025-2030, trazendo uma mudança drástica que muitos especialistas estão chamando de "a morte dos ultraprocessados". O novo modelo, que resgata o formato de pirâmide, desta vez invertida ou com foco em densidade nutricional, marca o fim de décadas de incentivo ao consumo massivo de grãos refinados e carboidratos processados, aproximando-se de conceitos que o Guia Alimentar para a População Brasileira já defende há mais de dez anos.
A nova diretriz, impulsionada por uma revisão rigorosa focada na saúde metabólica, prioriza proteínas de alta qualidade, gorduras naturais e vegetais, enquanto coloca o açúcar e os alimentos industrializados no topo da pirâmide (espaço de consumo mínimo). O secretário de Saúde americano, Robert F. Kennedy Jr., resumiu a nova filosofia de forma direta, "Coma comida de verdade. Nada é mais importante para a saúde e a estabilidade econômica".
O comparativo: EUA vs Brasil
Enquanto os EUA agora lutam para desindustrializar o prato do cidadão, o Brasil é reconhecido internacionalmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como pioneiro nesta abordagem. A principal diferença reside na Classificação NOVA, utilizada pelo guia brasileiro, que separa os alimentos pelo nível de processamento e não apenas por nutrientes.
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Característica |
Nova Diretriz EUA (2025-2030) |
Guia Alimentar Brasileiro |
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Foco Principal |
Densidade nutricional e proteínas integrais. |
Alimentos in natura e minimamente processados. |
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Ultraprocessados |
Recomendação explícita de evitar (foco em 3 ingredientes). |
Regra de ouro: "Evite alimentos ultraprocessados". |
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Gorduras |
Reabilitação de gorduras naturais (manteiga, azeite). |
Uso moderado de óleos, gorduras, sal e açúcar. |
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Leguminosas (Pulses) |
Destaque como fonte de proteína e fibra. |
Pilar central da dieta nacional (Feijão). |
A força do arroz com Feijão no combate aos processados
No centro desta discussão sobre "comida de verdade", a clássica combinação brasileira de arroz com Feijão ganha novo fôlego científico. Enquanto o mercado americano tenta redescobrir as pulses (como Feijões, lentilhas, ervilhas e grãos-de-bico) para substituir lanches ultraprocessados, o Brasil já possui a fórmula ideal de aminoácidos. A união do arroz (rico em metionina) com o Feijão (rico em lisina) forma uma proteína completa, além de oferecer fibras que regulam o índice glicêmico e promovem a saciedade, sendo o maior antídoto contra o consumo de produtos industrializados que levam ao desenvolvimento de doenças crônicas como obesidade e diabetes.
"O Feijão é o grande marcador da alimentação saudável no Brasil. Quando as pessoas deixam de comer Feijão, elas geralmente desestruturam a conformação da refeição principal e abrem espaço para os ultraprocessados, que são formulações industriais pobres em nutrientes e ricas em aditivos químicos", afirma a Dra. Olga Amancio, ex-presidente e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN), reforçando as premissas de que a base da alimentação deve ser composta por alimentos in natura.
Movimento pela preservação do prato brasileiro
No Brasil, a luta pela alimentação saudável ganha força com iniciativas como o projeto Viva Feijão, idealizado pelo Instituto Brasileiro de Feijão, Pulses e Colheitas Especiais (IBRAFE). O projeto atua na conscientização sobre os benefícios nutricionais e a sustentabilidade das pulses, buscando reverter a queda no consumo doméstico.
Ao incentivar que o Feijão permaneça no prato dos brasileiros, o Viva Feijão não apenas promove a saúde pública, mas também fortalece a cadeia produtiva nacional, garantindo que a base do nosso guia alimentar continue acessível e valorizada frente à pressão dos produtos ultraprocessados.