Os preços das Pulses nos mercados indianos estão abaixo do preço mínimo de suporte (MSP), impactados por importações de baixo custo de países como Mianmar, Moçambique, Tanzânia e Canadá. A situação preocupa comerciantes, que alertam para os possíveis efeitos negativos na próxima semeadura de grãos de inverno (rabi) e pedem ao governo o aumento das tarifas de importação para assegurar uma remuneração justa aos produtores.
O aumento nas importações a baixo custo, somado às perspectivas de uma colheita robusta, tem derrubado os preços de Pulses como o Feijão-guandu, Feijão-preto indiano, Lentilha-vermelha e Grão-de-bico, que agora são negociados abaixo do MSP.
De acordo com fontes comerciais, o preço do Feijão-preto indiano e do Grão-de-bico importados está próximo do MSP, equivalente a R$ 9,36/kg e R$ 6,78/kg, respectivamente. Já os preços de mercado para Feijão-guandu, Lentilha-vermelha e Feijão-mungo estão entre 10% e 20% abaixo do MSP de suas variedades.
Risco de redução de plantio
Comerciantes alertam que, se os preços continuarem abaixo do nível de referência, os produtores podem diminuir o plantio de Grão-de-bico e Lentilha-vermelha na próxima temporada de inverno. Eles pedem que o governo imponha tarifas sobre a Ervilha-amarela e outras Pulses para evitar que as importações prejudiquem o cultivo doméstico.
"A queda nos preços atuais das Pulses precisa ser contida por meio do aumento dos impostos de importação, para que os agricultores obtenham preços remuneradores e considerem expandir a área cultivada na próxima temporada de rabi”, afirmou Satish Upadhyay, secretário da Associação de Pulses e Grãos da Índia, ao jornal Financial Express.
Importações recordes e estoques estratégicos
A Índia importou 7,34 milhões de toneladas de Pulses em 2024/25. Atualmente, a importação sem tarifa de Ervilha-amarela, Feijão-guandu e Feijão-preto indiano está liberada até 31 de março de 2026. Já o Grão-de-bico e a Lentilha-vermelha têm uma tarifa de 10%, válida até o fim do ano fiscal de 2026. O país importa entre 15% e 18% de seu consumo anual, principalmente da África, Mianmar, Canadá, Rússia e Austrália.
A produção de Pulses no ciclo 2024/25 é estimada em 25,23 milhões de toneladas, um aumento de 4% em relação ao ano anterior. A área semeada de Pulses de kharif (cultivos de verão) já atingiu 11,27 milhões de hectares, cerca de 1,3% acima do ano passado, embora a área de Feijão-guandu tenha recuado levemente.
Inflação em queda e estoques estratégicos
A inflação dos cereais na Índia caiu para 3,03% em julho, impulsionada pela queda nos preços do arroz e pelo avanço da semeadura de kharif. No caso das Pulses, a inflação recuou 13,76% no último mês, marcando seis meses de retração.
O governo indiano mantém 2,48 milhões de toneladas em estoques estratégicos, abaixo da meta de 3,5 milhões de toneladas. A maior parte do volume é composta por Feijão-mungo (0,90 mi t), Lentilha-vermelha (0,64 mi t) e Feijão-guandu (0,60 mi t).
O Ministério da Agricultura busca elevar a produção de Pulses para 29,9 milhões de toneladas em 2024/25, um aumento de mais de 23% em relação à safra anterior.
Com informações Financial Express