Jahid Nagarwala, CEO do Alfa Group, sediado em Dubai e atuante no ramo de leguminosas na África desde 2005, compartilhou as perspectivas para a produção de leguminosas na região em 2024. Nagarwala discutiu a situação atual da produção de Guandu e grão-de-bico, destacando os desafios e oportunidades enfrentados pelos produtores africanos.
Produção no Sudão
O Sudão é um dos principais produtores de grão-de-bico kabuli de tamanho pequeno, variando de 5 a 7 mm. A safra de 2023/24 alcançou entre 50 e 80 mil toneladas, mas já está praticamente esgotada. Para o ano atual, a expectativa é de uma produção entre 50 e 60 mil toneladas. Contudo, a guerra tem dificultado as operações, com apenas Port Sudan em funcionamento, resultando em atrasos significativos no envio das cargas. Segundo Nagarwala, "Os preços têm sido muito altos para os importadores paquistaneses, que optam por alternativas mais baratas da Rússia. Assim, a maior parte da produção destina-se à Índia, com algumas cargas sendo enviadas para Egito e Turquia para processamento."
Em relação à Guandu, a expectativa é de uma boa produção este ano, estimada em cerca de 60 mil toneladas. Ainda há aproximadamente 5 mil toneladas aguardando embarque no porto, com a nova safra prevista para janeiro.
Oferta e procura de ervilha e de guandu
Nagarwala comentou sobre o déficit considerável na oferta de guandu. De janeiro a julho, a Índia conseguiu atender parte da demanda abrindo importações de ervilhas amarelas e grão-de-bico desi. Contudo, a demanda restante tem pressionado os preços do Feijão-de-bico. "Ainda há déficit para julho, agosto e setembro. A África já está em condições de suprir essa demanda, e a situação está mais tranquila," afirmou. A partir de setembro, a Índia deve receber Feijão-guandu, especialmente da África. A expectativa é de uma produção de 700-800 mil toneladas entre cinco países, com a Tanzânia, Moçambique e Malawi liderando. "O Quênia, que não foi um player significativo nos últimos dois ou três anos, deve exportar cerca de 30 mil toneladas este ano."
Produção de grão-de-bico na Tanzânia
Na Tanzânia, a colheita de grão-de-bico está prestes a começar, com estimativas de produção variando entre 100 e 150 mil toneladas. Nagarwala explicou que, embora ainda haja chegadas pontuais, os números concretos serão conhecidos no final de julho e início de agosto.
Declaração de estoque na Índia
Nagarwala elogiou a decisão do governo indiano de declarar estoques em períodos de escassez. "De setembro em diante, acredito que não haverá mais escassez. Mesmo com uma boa colheita, o governo deverá formar reservas para manter os preços sob controle."
Evolução do comércio de leguminosas na África Oriental
Nas últimas duas décadas, a logística melhorou significativamente, beneficiando os agricultores. "Definitivamente, as margens dos expedidores caíram nos últimos 20 anos, mas esse é o compromisso para mais estabilidade," disse Nagarwala. Ele destacou o aumento do número de empresas e o apoio governamental, embora os agricultores ainda enfrentem desafios como problemas climáticos e pragas.
Investimento em leguminosas africanas
Por fim, Nagarwala mencionou a falta de avanços significativos na agricultura africana, especialmente em termos de atração de grandes investidores. "Para bancos e multinacionais, os volumes ainda não são atrativos."
Os próximos três meses serão cruciais para determinar o equilíbrio entre oferta e demanda, com expectativa de estabilidade no mercado de leguminosas, caso as previsões de produção se confirmem.
Com informações de Pulse POD