O setor de gergelim do Zimbábue enfrenta desafios crescentes com o avanço do contrabando e da atuação de compradores sem licença, que estariam estimulando a comercialização paralela da produção. Segundo representantes do setor, comerciantes estrangeiros, principalmente de Moçambique, oferecem pagamento imediato aos produtores sem participar do sistema de contratos agrícolas que financia sementes, insumos e assistência técnica. Como resposta, a Autoridade de Marketing Agrícola e a polícia zimbabuana intensificaram as fiscalizações e já apreenderam mais de 15,6 toneladas de gergelim comercializado ilegalmente nesta temporada. As autoridades alertam que a prática compromete os investimentos dos contratantes formais, reduz a transparência do mercado e ameaça a sustentabilidade de uma cultura que vem ganhando importância econômica para milhares de agricultores do país.
Estratégias de marketing paralelo impactam o setor de gergelim
ZIMBÁBUE - O setor de gergelim do Zimbábue está sob pressão devido ao contrabando e a compradores sem licença, com comerciantes estrangeiros sendo acusados de prejudicar os contratantes.
Os participantes do setor afirmam que os compradores, principalmente de Moçambique, oferecem aos agricultores preços à vista abaixo dos valores contratados, sem fornecer os insumos, o que fomenta a comercialização paralela e prejudica os contratantes formais.
As autoridades intensificaram o combate a essa prática, com a Autoridade de Marketing Agrícola (Ama) e a Polícia da República do Zimbábue (ZRP) apreendendo mais de 15.600 kg de gergelim comercializado ilegalmente desde o início da temporada de compras de 2026.
A operação conjunta tem como alvo uma quadrilha de contrabando que transporta a safra para Moçambique através de pontos de fronteira ilegais, particularmente no distrito de Mbire. Tem como objetivo também impedir a comercialização paralela e a compra sem licença.
A carga apreendida, de 15.658 kg, avaliada em cerca de US$ 11.400, foi leiloada. Três grandes apreensões ocorreram no último mês: 1.692 kg em Mbire, no dia 17 de maio; 4.800 kg em Chiredzi, no dia 22 de maio; e 9.166 kg em Mbire, no mesmo dia. Agentes da lei aplicaram multas que totalizaram US$ 5.000.
Assim como o tabaco, o gergelim é cultivado sob contrato, em que empresas licenciadas fornecem sementes, produtos químicos e financiamento.
Mas, segundo especialistas do setor, compradores não registrados obtêm altas margens de lucro sem injetar capital.
“Como eles recebem a colheita de graça, suas margens de lucro são altas. Eles não precisam prestar contas ao Banco Central do Zimbábue sobre as taxas de retenção, que são de 70% em moeda estrangeira e 30% em moeda local. Isso é cruel para nós”, disse uma fonte ao NewsDay ontem.
A diretora executiva da Ama, Alice Mapfiza, alertou para a tolerância zero à compra ilegal, à comercialização paralela e ao contrabando.
“Qualquer pessoa flagrada comprando sementes de gergelim sem registro na Ama corre o risco de ser processada, ter a produção confiscada e sofrer penalidades de acordo com as normas vigentes”, disse ela.
Os dados da Ama mostram que os contratantes e compradores registrados adquiriram 465.843 kg de gergelim nesta temporada, injetando cerca de US$ 372.674 na economia agrícola.
A autoridade recomendou aos agricultores que vendessem apenas para compradores registrados e licenciados, a fim de evitar exploração e disputas contratuais.
Reportagem original publicada por News Day
Disponível em https://www.newsday.co.zw/local-news/article/200056021/side-marketing-hits-sesame-sector