Dois produtores de sementes do Canadá participaram recentemente do podcast da Saskatchewan Pulse Growers para apresentar novas variedades de Ervilha e Lentilha que devem ganhar espaço nas lavouras em 2026. Justin Ritco, da Condie Seeds, de Lumsden, e Thomas Winny, da Winney Seed, de Rosetown, detalharam os avanços genéticos e os resultados de campo observados nos últimos testes.
Entre os destaques está a Ervilha amarela AAC Beyond, nova variedade que, segundo Ritco, combina altos e consistentes níveis de produtividade e proteína. De acordo com ele, embora produtividades elevadas já tenham sido registradas em outras Ervilhas, esses resultados costumavam vir acompanhados de limitações agronômicas.
“Já vimos esse nível de produtividade antes, mas geralmente ele vinha associado a algum fator negativo, como baixa resistência ao acamamento, ciclo muito longo ou quebra da casca da semente. O diferencial da AAC Beyond é reunir produtividade excepcional, maturação precoce e resistência moderada à podridão radicular por Fusarium, algo inédito. Isso torna a variedade muito mais completa e atrativa para o produtor”, explicou Ritco.
Outra variedade citada foi a Ervilha amarela AAC Julius, que apresenta sementes menores em comparação à Beyond. Segundo Ritco, essa característica permite que os produtores atinjam a população ideal de plantas utilizando menos quilos por hectare, reduzindo o custo de implantação da lavoura.
Ritco também comparou o porte das duas cultivares. Enquanto a Beyond é mais compacta, com trepadeiras mais curtas e menor altura total, a Julius se destaca por uma estrutura mais robusta, com plantas mais altas e trepadeiras mais longas. “Ambas são variedades fortes, mas com vantagens distintas. A Julius é mais eficiente no plantio, enquanto a Beyond favorece a colheita”, afirmou.
No segmento de Lentilha, a novidade apresentada foi a variedade de Lentilha vermelha CDC 6928. Thomas Winny detalhou os resultados obtidos nos ensaios agronômicos, que avaliaram diferentes taxas de semeadura, além do comportamento frente a plantas daninhas e doenças ao longo da safra.
“O ensaio utilizou uma taxa elevada de semeadura, com 24 plantas por pé quadrado e 94 libras por acre. Inicialmente, acreditávamos que a área seria destinada à silagem, devido à alta umidade e à pressão de doenças na região. Surpreendentemente, essa foi a segunda maior produtividade registrada, com níveis de doenças apenas ligeiramente superiores. A maior produtividade ocorreu com 18 plantas por pé quadrado”, relatou Winny.
Winny também comentou as diferenças entre Lentilhas vermelhas de grão pequeno e grande. Segundo ele, as Lentilhas vermelhas pequenas são mais amplamente cultivadas por apresentarem maior facilidade de comercialização, especialmente devido à eficiência no processo de desengorduramento. Já as Lentilhas vermelhas grandes tendem a atender nichos específicos de mercado.
“Acredito que exista um prêmio de preço para as Lentilhas vermelhas grandes, mas também há maior risco na comercialização. Por isso, o ideal é trabalhar com contrato. No caso das Lentilhas vermelhas pequenas, essa preocupação é menor”, avaliou.
Outro ponto destacado pelos produtores foi o avanço significativo na resistência a doenças nas novas variedades de pulses. Para Winny, a resistência à antracnose causada por Ascochyta é cada vez mais estratégica, especialmente diante do aumento da resistência dos patógenos aos fungicidas.
Ritco reforçou essa avaliação, ressaltando que os programas de melhoramento genético têm elevado de forma consistente os níveis de resistência nas Lentilhas vermelhas. “Hoje, a maioria das novas variedades apresenta resistência moderada tanto à antracnose raça 1 quanto à Ascochyta. Com esse avanço, os critérios de seleção passam a incluir outras características, como produtividade, maturação, retenção de cor e resistência ao acamamento”, concluiu.
Com informações de Moose Jaw Today