Preço do Feijão vai subir mais

Por: IBRAFE,

16 de janeiro de 2023

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Insegurança dos produtores com as políticas públicas gera diminuição das áreas de plantio

 

Não haverá Feijão suficiente para atender o consumo pelo preço médio dos anos anteriores da população brasileira em 2023. Como reflexo, enfrentaremos longos períodos de preços elevados, que irão colocar ainda mais em risco a segurança alimentar no país. Uma das principais responsáveis por esse cenário é a insegurança dos produtores em relação às políticas públicas relacionadas ao agro.

Temos visto as áreas de Feijão-preto e Feijão-carioca diminuindo a cada ano, porém as próximas safras estão ainda mais comprometidas graças ao receio dos produtores sobre o retorno sobre os investimentos no plantio de Feijão.

“Nossos custos vêm subindo consideravelmente, muitos dos insumos são cotados em dólar e isso tem prejudicado todos nós. Para garantir nosso retorno sobre os investimentos, temos optado pelo plantio de culturas que possuem alta no mercado e nos valores cotados também em dólar”, afirmou o produtor Leandro Candiotto, da região dos Parecis, no Mato Grosso.

Políticas públicas

Boa parte dos produtores estão inseguros quanto à transição política, já que as ações do governo podem impactar diretamente o setor.

O câmbio do dólar é um dos fatores principais para que os produtores sejam incentivados a plantar soja e milho em vez de Feijão. Com a moeda estrangeira em alta, acaba valendo mais a pena focar nas commodities, como afirmou o produtor do Mato Grosso.

Além disso, há uma preocupação quanto a uma possível política de congelamento do valor da cesta básica como política social do governo eleito. Isso pode prejudicar a cadeia produtiva, não cobrindo os custos de produção com o valor de venda.

Outro ponto de crítica por parte dos produtores é uma ausência de propostas em relação à exportação. Sem a segurança para escoar o excedente, fica complicado o investimento em aumento das áreas de plantio.

“É difícil avaliar nossa situação com a atual tensão política/estrutural que estamos vivendo. Acredito ser impossível, neste momento, prever alguma certeza do que acontecerá com qualquer cultura no nosso país”, enfatiza o produtor da região de Guarapuava, no Paraná, Roberto Eduardo Cunha.

Consequências

A diminuição das áreas de plantio de Feijão no Brasil é um caso alarmante. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), tivemos na safra 2021/22 a menor área cultivada com o grão desde 1976.


Enquanto isso, segundo dados do Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas Especiais (IBRAFE), o consumo da população brasileira gira em torno de 3 milhões de toneladas de Feijões por ano. 


Sem segurança para produzir, a cadeia produtiva diminui ainda mais as áreas de plantio e, consequentemente, a oferta ao mercado. A conta não fecha e os reflexos são graves. O principal deles é a área plantada menor de um dos principais produtos da cesta básica, seguido do aumento do preço nas gôndolas, que acaba limitando o poder de compra de boa parte das famílias. Ou seja, falta do alimento de qualquer forma. Os burocratas defendem que, enquanto tem produto na gôndola, não há desabastecimento, mas ele ocorre na despensa de alimentos na casa dos brasileiros. O preço alto vai estrangular o consumo. Nossa produção per capita está menor do que o consumo per capita. 


O Feijão é a principal proteína vegetal alternativa à proteína animal, que também vem passando por uma elevação de preços constantes nos últimos meses. Sem essa opção vegetal, muitas famílias continuarão enfrentando a insegurança alimentar. 

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