Conhecendo um pouco o Feijão-caupi

Por: Fernanda Chemim, Eng.ª Agrônoma, IBRAFE,

13 de dezembro de 2022

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O Feijão-caupi possui vários nomes populares como: Feijão-macassa, Feijão-de-corda, Feijão-colônia, Feijão-de-praia, Feijão-miúdo, Feijão-gurutuba, Feijão-catador e Feijão-fradinho. O Feijão-fradinho é o preferido para o preparo do acarajé, comida típica do Estado da Bahia e conhecido em todo o Brasil.
 
No mercado a granel é possível encontrar uma diversidade de tipos de grãos de Feijão-caupi. Porém, a partir dos anos 80, com o início do empacotamento, houve uma redução dos tipos de grãos ofertados, predominando os grãos marrons, sempre verde e branco. Em menor escala estão o fradinho, o verde e o manteiguinha. E na venda a granel predomina o tipo canapu.
 
Confira abaixo alguns tipos de grãos de Feijão-caupi comercial:

Fonte: Cadernos do Semiárido riquezas & oportunidades, 2020.

Apesar dos nomes comuns variados, todos pertencem a espécie de nome científico Vigna unguiculata e que, apesar de não ser o principal Feijão em território brasileiro, possui grande importância em outros países, como a Índia por exemplo, e possui importância no mercado de exportação. Alguns nomes em inglês referente aos grãos de Feijão-caupi são: cowpea, southern pea, blackeyed beans e field peas. Na Índia são chamados de acordo com a região: lobia e chaura (em Hinfu), chola e chorap (em Guajarati), chavalya (em Marathi), alasandulu (em Tegulu), alasande (em Kannadal) e Karamani (em Tamil).
 
A cultura do Feijão-caupi exige uma precipitação pluviométrica de no mínimo 300mm para que ela possa expressar sua capacidade de produção sem uso de prática de irrigação. No entanto, a limitação hídrica está mais relacionada à distribuição do que à quantidade de chuva, principalmente próximo ao florescimento, que, dependendo, pode afetar a produção. Por outro lado, no início do desenvolvimento, a pouca umidade é até favorável para o desenvolvimento das raízes. 
 
Há pouco estudo no Brasil com Feijão-caupi na finalidade de verificar a resposta dessa cultura aos fatores climáticos. Porém, por meio do ZARC (Zoneamento de Risco Climático), disponibilizado para o Feijão-caupi é possível diminuir os riscos com o clima ao se respeitar a viabilidade e época adequada de plantio em cada região. 
 
Em relação ao solo, ele pode ser cultivado em quase todos os tipos de solos, com destaque para os latossolos amarelos, latossolos vermelho-amarelos, argissolos vermelho-amarelos e neossolos flúvicos. Em solos como neossolos regolíticos e quartzarênicos, com baixa fertilidade, podem ser usados mediante aplicação de corretivos e fertilizantes químicos e orgânicos.
 
Para os produtores da região do semiárido, onde se concentra grande parte da produção deste Feijão, torna-se obrigatória a adoção de práticas de manejo e conservação do solo como cultivo em curva de nível, renques de vegetação permanente, terraceamento, incorporação dos restos culturais, adubação orgânica e cobertura morta. Além de tudo, a utilização mínima de operações mecanizadas e revolvimento do solo para reduzir a degradação e a compactação do solo e manter a vegetação nativa em torno da área plantada também são essenciais.
 
Outros fatores importantes também são a FBN (fixação biológica do nitrogênio) e a inoculação, que podem garantir a fixação de 1 a 2 kg de N/ha/dia. E semente de qualidade e origem certificada, para evitar a propagação de doenças e garantir um melhor desempenho na germinação e no vigor.
 
Fica uma ressalva que devem ser adquiridos produtos de empresas credenciadas e registradas no MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária) e que sejam indicados para a cultura em se tratando principalmente do controle fitossanitário.
Em 2020, o mercado mundial, considerando apenas os Feijões-caupi (Vigna unguiculata), sem considerar os outros grãos Vigna, como o mungo (Vigna radiata) e o adzuki (Vigna angularis), girou em torno de 473.277 mil dólares, 485.627 t foram importadas e o Brasil foi responsável por apenas 2,75% das exportações. Ou seja, há um mercado a ser explorado. 
Se por outro lado considerarmos, juntamente, o mercado de Feijão-mungo e do Feijão-adzuki, em 2021 movimentou-se 2.034.126 mil dólares, sendo 1.787.248 t e o Brasil foi responsável por exportação de 4,81% do mungo e 8,76% do adzuki, sendo os maiores países importadores a Índia, China, Indonésia, Japão, Coreia e EUA. 
A boa notícia é que a China está pedindo acordo fitossanitário com o Brasil para a importação de Feijões, abrindo mais uma oportunidade de mercado. Um destaque vai para a cultivar bico-de-ouro, do IAC, que possui grande potencial exportável. 
  
Para o sucesso dessa cultura, no entanto, é preciso haver melhor parceria entre pesquisa, a assistência técnica e os agentes financeiros.

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